Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

 

         Das três capelas conhecidas em S. Paio de Casais, uma é privada (N. Sr.ª da Piedade) e as outras duas (Sr. do Calvário e St.º António) são públicas.

A Capela de St. º António.

Fica a 200 metros da igreja de Casais, acima desta; e a pouco mais de 100 metros da capela do Calvário.

No centro da freguesia, junto à berma direita da estrada principal que rasga a freguesia de Casais.

Na capela de St.º António celebra-se todos os Sábados - à tarde - a missa vespertina.

Todos os anos se realiza uma bela e concorrida romaria em honra de St.º António.

Algumas Considerações Artísticas.

         A capela é formada por nave e capela - mor, uma mais alta do que outra. Nota-se claramente que houve em primeiro lugar a construção de uma pequena ermida e que posteriormente houve um aumento, uma ampliação que respeitou integralmente a traça anterior, já que o segundo aumento, apesar de conter um maior volume manteve o mesmo estilo arquitectónico. Aliás - apesar de não haver dados que o confirmam - pode inferir-se que a ampliação teria sido feita no mesmo séc. ou época, ou por alguém que fez questão de manter a traça inicial. Inclino-me mais para uma ampliação executada na mesma época.

         É evidente que sofreu várias intervenções ao longo do tempo, já que o seu estado de conservação é bom.

         A capela de St.º António pode ser situada na 2ª metade do séc. XVIII.

         É uma construção de cantaria rebocada e pintada a branco.

         No seu alçado principal - frontão - poderemos ver um portal a meio do frontão que dá acesso ao templo e o entablamento é rematado por uma pirâmide no seu lado esquerdo, o frontão tem no seu cume, sob uma base em granito, uma cruz do mesmo material e no remate direito do entablamento uma artística sineira e pouco comum nas capelas de Lousada.

         Apanhando parte do timpano e parte da frontaria, logo acima de um aulejo rectangular com a imagem de St.º António (invocação da capela) mesmo ao centro, uma fresta mediana permite que a luz natural penetre no templo.

         No topo do frontão encontra-se, para além da cruz, uma luz eléctrica, assim como os altifalantes.

         O alçado direito permite-nos verificar que a cimalha elaborada e de granito sustenta e bem o telhado. De salientar também o portal lateral de acesso ao templo de forma rectangular, assim como uma fresta mediana aberta no granito da parede.

         Outro acrescento - e obedecendo à traça arquitectónica inicial - é uma pequena sacristia enxertada na primitiva ermida.

         Olhando para este alçado direito vêm-se ainda os remates do entablamento, em pirâmide, e as cruzes em bases de cantaria no cume dos frontões da primitiva ermida e na retaguarda (um bocadinho mais alta que a primitiva capela) da Segunda construção.

         O telhado é em telha vulgar - não deverá ser a primitiva. 

         O alçado esquerdo mostra-nos precisamente os mesmos elementos arquitectónicos, menos a sacristia que não tem. Tem é duas frestas abertas nas paredes da primitiva e da Segunda construção.

A Capela do Calvário.

         Fica situada no Lugar do Calvário. É a parte final duma Via Crusis. As 14 cruzes que aqui se encontram pensa-se que serão do séc. XVI ou princípios do séc. XVII. É natural que a capela seja mais tardia, do séc. XVIII.

         As várias cruzes dividem-se desde a igreja paroquial até à capela do Sr. do Calvário. Esta fica num alto de difícil acesso, mesmo que alcatroada a rua. É íngreme.

         Ainda na actualidade, em dia de Sexta feira Santa, se pratica a Via - Sacra ao longo das citadas cruzes. O percurso, todo ele, é feito numa ordem ascendente, a partir da igreja paroquial e culminando na capela do Calvário.

Algumas Considerações Artísticas.

         Julgo não errar se situar a capela do Sr. do Calvário nos inícios do séc. XVIII.

         É uma capela de uma só nave, em cantaria, com junta tomada e fitada e que sofreu ao longo dos anos várias intervenções. É no seu alçado principal que reside o maior interesse de análise arquitectónico. O alçado direito e esquerdo não têm qualquer pormenor relevante.

         É contudo uma construção equilibrada e interessante.

         A sua fachada principal - a frontaria - é pentagonal. Coisa rara nas capelas de Lousada. Quer dizer que seu frontão e tímpano são diferentes de quase todos os outros, o que permite que a torre sineira (sem sino) assente numa base plana. Torre sineira artística, em arco, e que suporta uma pequena cruz em pedra e esta por sua vez serve de base a uma “artística” e moderna cruz em ferro e fibra branca para iluminar e sinalizar o local onde se implanta o templo; na parte final da cruz encontra-se um artefacto em ferro com uma lâmpada eléctrica (também com a função de assinalar o sagrado).

         As duas pilastras salientes - cada uma na sua extremidade - têm na sua parte final o entablamento que é rematado por pináculos em forma de cones assentes em bases graníticas.

         Mesmo no centro da fachada principal, um portal dá acesso ao templo. No tímpano, a meio deste, tocando a cimalha, encontra-se uma abertura em forma de losango, a que até podemos chamar “óculo”, mas que é uma forma de representação pouco usual em capelas de Lousada.

         O alçado esquerdo deixa-nos ver o aparelho com junta tomada e fitada, o telhado e as telhas a assentarem na cimalha elaborada e em granito. Um portal - praticamente a meio - rasga a parede granítica e dá acesso ao templo.

         O único alçado coberto a azulejo em padrão, é o alçado principal. O azulejo é azul, formando uma roseta, que presumo seja deste século, já que não consegui Ter acesso a documentos do restauro em que o azulejo foi colocado.

         Linda capela, com artísticas linhas arquitectónicas e com o seu local de implantação a necessitar de melhoramentos.



publicado por José Carlos Silva às 21:02 | link do post

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