Segunda-feira, 14 de Março de 2011

      O Concelho de Lousada no séc. XVIII, conheceu, dentro do dinamismo da arquictetura civil, a afirmação da casa nobre. Na Rua do Torrão, actual Rua de Santo António, e a mais antiga da Vila de Lousada, não se edificou um grande número de casas nobres. Hoje, a maioria, desempenha funções diversas (Câmara Municipal, infantário, drogarias, centros comerciais, cafés, bares, Jardins de Infância e restaurantes) e, indiferentes às razões para que foram projectadas, não passam de reminiscências. É para além do perímetro, primeiro da Rua do Torrão - depois Vila de Lousada - que se vai edificar a casa nobre do século XVIII.

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353 - Segundo os Senhores de Argonça, em meados do século vinte, as estatuetas que representam as quatro estações do ano, foram trasladadas do portal da entrada para o portal do terreiro da casa, para evitar o seu furto. Cf. vol. II, p. 22.

354 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 127.

355 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 129.

356 - O antigo topónimo era Cam, e deu o nome a esta casa. A. D.P., Secção Notarial, Po-1, 1ª Série, Livro n.º 49, 1807, fl. 18v.

357 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 94.

358 – Informação de D. Cecília Soares de Moura. Cf. OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 96.

359 - Segundo a proprietária desta casa, D. Cecília Soares de Moura. Cf. OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 96.

360 - “Este portal localiza-se no lado esquerdo da Capela da Lama, e foi durante algumas gerações, a entrada principal da casa. Do ponto de vista arquitectónico é formado por quatro colunas adossadas e encimadas por pináculos pontiagudos, que datam de 1988, foram mandados colocar pelo actual proprietário, e têm os laterais mais baixos que os centrais. A técnica utilizada foi a de silharia, de aparelho regular. A parede entre colunas é de cimento pintado de branco.” OLIVEIRA, Rosa Oliveira - o. c. , p. 58 - 59.

            Não há no concelho de Lousada qualquer casa-torre. Existem casas com torres, não datadas. De que são exemplo as casas da Bouça, Ribeiro, Ronfe, Outeiro e Valteiro. Alguns proprietários destas casas, afirmaram que as torres foram edificadas ao longo do séc. XIX.362

            A casa nobre363 lousadense do século XVIII insere-se nas características definidas por Carlos de Azevedo e adoptadas por Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves para a casa nobre em geral, na sua obra: “ A Casa Nobre No Porto Na Época Moderna.” Os aspectos que a definem centram-se: “no esforço arquitectónico e decorativo concentrado na fachada; no desenvolvimento horizontal, criando longas fachadas, articuladas com pilastras lisas pouco salientes, e acentuadas, sobre os telhados, por ornatos (urnas, fogaréus e pináculos); na existência de um piso dominante, o andar nobre, com janelas «quase sempre mais ricas do que no andar térreo»; na acentuação da linha superior do edifício (emprego de frontões); na importância da entrada nobre, «enriquecida com colunas e pilastras», sustentando «balcão com parapeito ou simples grade, continuada por uma janela central de tipo mais rico e rematada pelo brasão de armas da família», criando-se assim um eixo vertical que divide a fachada em duas zonas iguais (…).”364A casa nobre no concelho de Lousada é, igualmente, definida por “fachadas rasgadas por janelas de sacada e janelas de peitoril, com ombreiras, peitoris e lintéis lisos. As portadas são também simples.”365 É esta a forma que iremos ver na casa de Argonça, Cam. Na escadaria interior e exterior há “um «maior desenvolvimento» e variedade, aparecendo no interior das casas caixas de escada, de arquitectura cuidada, onde surgem escadarias de lanços convergentes e divergentes a partir de patamares. (…).”366 As escadarias setecentistas lousadenses exibem modelos muito interessantes, como a da casa da Bouça, Juste, Lama, Outeiro, Real, Renda, Ribeiro, Rio Moinhos, Valteiro e Vila Verde.

            A casa com capela integrada na fachada desenvolve-se durante o século de setecentos e ganha uma expressão muito própria. As Casas do Valteiro, de Real, e do Ribeiro, são alguns exemplos. Na casa nobre lousadense há um grande número de casas com capelas adossadas à direita ou à esquerda da fachada. Em contrapartida, poucas são as casas isentas de capelas ou com capelas isoladas.

            De salientar também que nem todas as casas possuem pedra de armas na fachada principal ou em qualquer outra.

            As diferentes características permitem criar tipologias, que terão o seu devido tratamento no terceiro capítulo.

           Enquadrada na ideia apresentada por Anne Stoop, na sua obra: “Palácios e Casas Senhoriais do Minho”, as casas nobres de Lousada eram “aristocráticas”e muitas vezes tiveram que ser construídas por “fases a fim de abrigarem as sucessivas gerações367 e por isso foram-se “modificando segundo as necessidades e disponibilidades financeiras de momento.368

            Em síntese, na casa nobre lousadense, no séc. XVIII, assistimos ao desenvolvimento das fachadas principais e vemos enriquecerem-se as janelas e as portadas com decoração envolvente, assim como o aparecimento de frontões para exibição da pedra de armas, como acontece nas casas da Bouça, do Porto, de Ronfe. E é necessário realçar outro aspecto fulcral da história destas casas: foram ao longo dos séculos o berço onde nasceram, se criaram e educaram grandes figuras da igreja e do governo do concelho de Lousada, da diocese do Porto, tendo alguns logrado atingir altos cargos ou dignidades nos destinos do Reino: em Lisboa, como deputado, o Conde

de Alentém foi disso exemplo. Destas casas nobres brotaram, tanto nas armas como nas letras, padres, dignitários da igreja, membros de ordens religiosas, militares, administradores concelhios e governadores civis, deputados, Cavaleiros da Ordem de Cristo, Bispos, professores e reitores de universidades, sargentos e capitães-mores de ordenanças, notários, escrivães, juízes do crime, cível e órfãos. Representaram ainda a assistência social e educacional da população vizinha, quando habitadas em permanência pelas antigas famílias.369

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361 - “Um muro de granito -, rodeia o jardim -, com aparelho de fiadas regulares, que tem sete colunas, coroadas por urnas fechadas. Sendo quatro delas pertencentes a dois portais. Estes são em ferro fundido com duas folhas, e a parte inferior de cada portal é em chapa e em ferro, com rosetas. Foi D. Maria Alice Castro Neves Pinto Garcês que desenhou os portais, os gradeamentos e o muro, e mandou executar o projecto.” OLIVEIRA, Rosa Oliveira - o. c., p. 59.

362 - Informação do Dr. João Cabral, da Casa da Bouça e Carlos Costa Lima de Sousa Guedes, da Casa do Outeiro.

363 - BLUTEAU, Rafael - Vocabulario Portuguez & Latino. Lisboa: Na Officina de Pascoal da Silva, 1716, tomo 5, p. 731.

364 - FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime B. - o. c., p. 15-16. CF. AZEVEDO, Carlos de - o. c., p. 19. Cf; STOOP, Anne - o. c., p. 12.

365 - FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime B. - o. c., p. 15-16. CF. AZEVEDO, Carlos de - o. c., p. 19.



publicado por José Carlos Silva às 21:26 | link do post | comentar

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