Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

 

 

            Uma descrição possível é a de uma pequena oficina tradicional, sem um único elemento de trabalho industrial.

            "Eis-nos diante da forja, uma caixa rectângular ou circular, construída de ferro fundido ou de tijolo refractário, com depósito côncavo, onde se queima o carvão.

            Este depósito dispõe de um algaraviz ou fenda por onde entra o ar trazido do fole, ventoínha ou conduta que activa a combustão com maior ou menor intensidade.

            Conjugada ou não com a forja, existe uma pia ou caldeira com água para arrefecer o ferro, a ferramenta ou molhar o carvão. Uma cúpula tronco-cónica ou tronco piramidal, sobe a forja, conduz para o exterior os gazes da combustão" [1].

 

2 - Os instrumentos

 

            "Temos o cavalete ou a bigorna, o primeiro com a sua graça e o chifre, a segunda, de duplo chifre, ambos colocados sobre o cepo; os martelos, as marretas e os machos, aqueles com a sua pancada, bola ou pêna, as seguintes com as duas pancadas plana e a outra em pêna ou bola; tenazes, punções, talhadeiras, goivas, alfeça, alisador, assentador e degolador, completam sumariamente o apetrechamento da oficina"[2].

 

3 - Ferro forjado. Seu significado.

 

            O ferro é um dos metais mais antigos de que há conhecimento. Por si mesmo, deu o nome a uma das fases da história - a Idade do Ferro. A descoberta de tal metal foi importantíssima, ou mesmo vital, para o desenvolvimento da Humanidade.

Do sílex passou-se para o domínio do mineral, da sua modulação, a qual implicava, igualmente, o domínio do fogo. Nessa Idade, o Homem aprendeu a forjar o ferro e a fazer livre uso da sua imaginação e engenho.

            À arte de dar forma ao ferro por meio do fogo, da bigorna e do martelo, chama-se forjar. Existem três estados no ferro: forjado ou laminado; coado ou fundido; e aço. Estes estados distinguem-se pela maior ou menor percentagem de carbono neles contida.

            O ferro forjado é utilizado em trabalhos artesanais (e industriais) de adorno e decoração ao contrário do que acontece com as peças bélicas ou de trabalho.

 O ferro entra nas oficinas sob a forma de barras ou arco de ferro, de secção rectangular; vergalham, verga ou verguinha, de secção quadrada; varões ou arames de secção circular, e chapa de ferro de espessuras variáveis, as quais, os laminadores e as fieiras concedem formas, depois do ferro ficar pudlado ou purificado.

 

1 - O passado e o presente. Funções

 

            O ferro forjado transformou-se num produto de grande sofisticação como os bordados, o entalhamento, a cantaria. A madeira serviu a partir dos tempos medievais de pano de fundo ao ferro - forjado. Uma ferragem bastava para dar a uma tábua uma característica nobre. Um portão com um guarnecimento desse tipo conferia-lhe uma certa "leveza", as varandas e as janelas ficavam ao mesmo tempo, mais seguras e embelezadas.

Ao longo de séculos, o ferro forjado esteve na moda, especialmente nos países do sul do continente, como Itália - que possuía grandes tradições, Espanha, Portugal, França, Holanda e Grécia.

            Em toda a Europa, trabalhou-se artisticamente o ferro na forja, mas os mais exímios foram os povos da bacia meditarrânica.

            Actualmente, o ferro forjado é mister de poucos ferreiros dentro da tradição artesanal. É uma das artes que infelizmente está prestes a perecer. As serralharias artísticas produzem materiais em série, que se aplicam um pouco por toda a parte. Algumas peças não têm qualidade estética, mas outras conceberam-nas artistas plásticos.

            Pessoas há que ainda encomendam trabalhos especiais e específicos. Na maioria dos casos, as peças variam entre a moldura de um portão, de uma janela, varanda, ou ainda de candeeiros e ferragens.

            As oficinas de serralharia também executam a obra com perfeição, mas como produto industrial, que ao mais simples olhar a diferença é notória.

            Anteriormente, o artesão possuía determinados moldes, mas era detentor de uma grande liberdade de criação, daí o seu valor. Cada peça tinha um cunho de autenticidade, valor, esse, muito subjectivo. Contudo, uma peça antiga de ferro forjado, feita em poucas quantidades ou mesmo única, tem um preço muito elevado, não só pela sua raridade, mas também pela dificuldade da mão-de-obra.

            O incremento do ferro forjado nos nossos dias está intimamente ligado a novas formas de decoração, muito mais permissivas à conjugação de estilos e também à recuperação do "antigo". Em muitas vivendas procura-se um toque de regionalidade e este é dado através dos acessórios, que no caso, pode ser apenas uma grade trabalhada.


ROSA, Oliveira, Portões e Fontanários de Lousada



[1] BASTO, A. de Magalhães, et al., Ferro forjado no Porto, Publicações da Câmara Municipal do Porto - Gabinete de História da Cidade, Porto, 1955, pp. 34-35.

[2] BASTO, A. de Magalhães, Ob. cit., p. 36.


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publicado por José Carlos Silva às 20:43 | link do post | comentar

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