Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
 

Uma terra atravessada por rios, que cavaram dois dos mais férteis vales da região, o Vale do Mezio e o Vale do Sousa; defendida por serras e montes, Campelos, Santiago, Cumieira; Lousada foi terra de atracção e fixação de populações desde sempre.
A análise da documentação medieval dá-nos disso uma visão muito evidente. Multiplicam-se os casais e as quintas, muitas delas pertencentes a lavradores, foreiros de alguns dos mais importantes mosteiros das redondezas e dos mais importantes senhores.

O esforço sistemático dos reis, através das Inquirições, ao longo do século XIII e XIV, dá-nos conta, também, das irregularidades e devassas que se cometiam. Tributos devidos que eram, simplesmente, esquecidos e que o monarca procurava recuperar para aumentar o erário régio e, assim, prosseguir no, ainda árduo, esforço de Reconquista.
Neste universo de quintas e casas de lavradores espalhadas pelas terras que constituem, hoje, o concelho de Lousada, havia já inúmeros casais “honrados”, ou seja, como os seus donos eram fidalgos, eram-lhes concedidos alguns privilégios. Nestes casais honrados não entrava o mordomo do rei, o cobrador dos impostos.
Na Idade Média o território de Lousada era pertença de algumas das mais notáveis linhagens portuguesas. Uma das famílias mais poderosas e influentes de então eram os Sousas, mas também encontramos terras pertencentes aos senhores de Riba-Douro, linhagem de Egas Moniz, ou aos da Silva, de Aires Gomes da Silva, o Velho, Alcaide de Guimarães.
Aqui se constituíram e desenvolveram algumas das famílias mais importantes da região e do país, cujo nome e linhagem ainda hoje perdura.
Estas construíram o seu solar primitivo, que se foi engrandecendo, ao sabor das conjunturas políticas, sociais e económicas, dando, enfim, origem a muitas das magníficas casas solarengas, património que o concelho, felizmente, preserva e pode oferecer.
O solar integra uma propriedade rural, essa é a sua génese, e ele molda-se às características e necessidades da terra e da produção agrícola.
Evidentemente que não há fenómenos estanques, pelo que muitos solares da região, nunca abandonando a sua função de cabeça de exploração agrícola, serão alvo de aprimoramentos na zona residencial, adaptações da construção aos modos de viver fidalgo. Daí que, principalmente ao longo do século XVIII, mas também durante o século seguinte, vejamos erguer novas e imponentes alas, muitas vezes interrompendo e alterando até, o ritmo e organização original da casa.
O brasão é outro elemento indissociável do solar. Nem sempre exibido sob a forma de pedra de armas, ele está sempre presente como marca da distinção e ancestralidade familiar.
São muitas as casas solarengas a admirar em Lousada, tendo já, algumas delas, integrado ciclos de visitas promovidos pela autarquia.
Em Lousada podemos encontrar belíssimos solares, dominando quintas e tapadas. A Casa de Vila Verde, em Caíde de Rei, Imóvel de Interesse Público desde 1978, um solar com fundação medieval que mantém as suas características agrícolas, designadamente através da produção de Vinho Verde; a Casa de Juste, na freguesia de Torno, também de remotíssimas origens, destacando-se a sua excelente janela manuelina; a Casa do Porto, em Santa Margarida, secular igualmente na origem, com a sua fachada Oitocentista dominando o vale da Ribeira de Barrosas.

 www.cm-lousada.pt/VSD/Lousada/.../visitantes+solares.htm -
 
 
 

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publicado por José Carlos Silva às 21:39 | link do post | comentar

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