Terça-feira, 13 de Setembro de 2011
 
 


Nevogilde

 

Os moinhos de água já seriam comuns em Roma no início da nossa era. Sabe-se, contudo, que a sua difusão se verifica com maior força na decadência do Império, durante o século IV d.C., devido ao crescente despovoamento e à escassez de mão-de-obra.
Terão surgido, então, dois tipos de moinhos: os de roda vertical, comummente chamados de azenhas; e os de roda horizontal, também denominados moinhos de rodízio, que são os mais vulgares na região norte de Portugal, sendo o Moinho do Museu Vivo de Casais um exemplar autêntico.

Foi, desde sempre, costume do Homem ligar as suas necessidades, em termos funcionais, às potencialidades da Natureza. Nesta perspectiva, os moinhos são um testemunho vivo desta íntima relação, na medida em que, partindo da noção de aproveitamento da energia hidráulica, o Homem adapta e transforma o seu meio ambiente para se servir mais eficazmente dos recursos.
Deste modo, é possível encontrarmos moinhos junto dos rios accionados pelas fortes levadas tiradas da corrente principal, assim como os podemos encontrar à margem de pequenos cursos de água cuja água é desviada e represada para garantir a força suficiente à impulsão do rodízio.
Também se constata que a moagem de cereal está muito dependente das estações do ano e da sua regularidade. Os moinhos localizados junto aos rios de curso abundante funcionam, normalmente, durante o Verão, quando há menos água. Os moinhos situados na encosta da montanha, nos pequenos ribeiros, estão, por esta altura parados, pois a água é quase inexistente. No entanto, no Inverno, estes cumprem, enfim, a sua missão já que as cheias impedem os anteriores de funcionar.
Importa também aludir à introdução do milho em Portugal. Até à Descoberta da América, na Europa, só era conhecido o milho-miúdo, uma variante pouco produtiva e menos saborosa. Os cereais mais cultivados eram então o centeio e o trigo, sendo este último destinado ao pão das classes mais abastadas. Juntamente com muitas outras plantas foi introduzido o milho, vindo da América, começando o seu cultivo por meados do século XVI, embora só no século seguinte de alarga-se a sua produção a quase todo o país.
O milho acabou por dominar a produção de cereal a partir do século XVIII, provocando pequenas alterações nos moinhos existentes, particularmente ao nível do tipo de pedra usado nas mós.

MOINHOS DE LOUSADA


São várias as referências a moinhos na documentação medieval sobre Lousada. Estas informações, que encontramos em documentos de vários tipos, tais como cartas de venda, doação ou partilhas, tombos de bens, acórdãos, testamentos, etc., revestem-se de grande importância para a compreensão da história económica, social e patrimonial do concelho.
A primeira referência que encontramos sobre moinhos é numa carta de venda datada de 12.11.1113. Salvador Sendins e sua mulher Susana vendem metade da villa Bolio, actualmente lugar da Bola, em Nespereira, a Randulfo Zuleimaniz e sua mulher Justa, pelo preço de 60 morabitinos.
Ao longo da Idade Média, alvores da Idade Moderna, havia moinhos espalhados por todo o actual concelho de Lousada. Em Barrosas, Santo Estêvão, o Tombo de Bens de 1504 do Mosteiro de Santa Maria de Oliveira, Guimarães, refere dois: um em Ventoselas e outro no Campo da Vinha, na Quinta de Ledesma – este moinho ainda existe, assim como o nome do campo subsiste. Em Nogueira, numa carta de venda e doação datada de 13 de Setembro de 1120, Aloitu Gonçalves e sua mulher Godinha Moniz cedem a Egas Moniz e sua mulher Doroteia Pais todos os bens que aí possuem, incluindo as acquas aquarum sesigas molinarum, ou seja, os moinhos.
Também encontramos referências muito antigas aos moinhos de Pias e de Meinedo. Em 1296 a abadessa do mosteiro de Arouca chega a acordo com o abade de Aveleda acerca das águas que iam para “um moinho que é sobre a água de Sousa” em Pias. Em Meinedo, no Tombo de Bens desta igreja, realizado em 1553, são referidos uns moinhos no Rio Sousa, que estavam aforados em 1ª vida a Mexia Fernandes, que pagava quatro alqueires de pão terçado e 50 reis anualmente.
A toponímia dá-nos, igualmente, claras indicações de forte presença de engenhos de moagem. São inúmeros os exemplos de nomes de lugares cuja origem tem a ver com moinhos e toda a actividade associada.
Desde logo o lugar de Rio de Moinhos em Covas, referido nas Inquirições de Afonso II e Afonso III. Também os lugares de Moinhos em Figueiras, Cernadelo e Torno; o lugar das Cales e do Moinho Velho, em Meinedo; Mós, em Silvares; o casal do moinho, referido num testamento de 1321, em Sousela. São apenas alguns exemplos que demonstram a forte vocação agrícola da região, designadamente na produção cerealífera.
Pegando noutra fonte inestimável de informação de meados do século XVIII, as Memórias Paroquiais, os párocos das freguesias dão conta, no total, de cinco dezenas de engenhos.

MOINHOS DA RIBEIRA DE BARROSAS

Com a nascente já no concelho vizinho de Felgueiras, a Ribeira de Barrosas entra em Lousada por São Miguel. Em tempos, a água desta ribeira alimentou dezenas de moinhos que se dispunham ao longo das três freguesias que serve: São Miguel, Santa Margarida e Macieira. É, precisamente, em Macieira, no lugar de moinhos que a abundante ribeira alcança o Rio Sousa.
Logo em São Miguel, uma forte e extensa levada, que felizmente se conserva e ainda hoje se pode admirar, abastecia pelo menos oito moinhos, alguns com mais que uma mó, que se dispõem ao longo da face norte-sul da encosta, quase em cascata, numa extensão que pouco ultrapassa os cem metros.
Um pouco mais abaixo, onde o vale já se abre largamente e favorece a exploração agrícola, uma outra levada abastece mais um conjunto de moinhos. Um destes, pertencente à casa do Porto, ainda hoje se encontra em funcionamento.
Já nas proximidades de Macieira, a ribeira abandona a direcção norte-sul, tomando agora a orientação noroeste-sudeste que a levará ao encontro das águas do Rio Sousa. Nesta freguesia, um canal que serpenteia rente aos muros dos socalcos de cultivo, provia mais algumas moendas.

MOINHOS DE PIAS SOBRE O RIO SOUSA

É curta a passagem do Rio Sousa por Pias. Serão umas escassas centenas de metros que foram, no entanto, muito aproveitadas em termos de energia hidráulica. Para além das dezenas de rodas de moinho sobre a margem direita, havia também uma serração hidráulica, da qual, lamentavelmente, só restam as paredes.
Quando falamos de molinologia, que é o estudo dos moinhos, há uma variedade de outros aspectos que devemos analisar e que fazem parte do meio onde os moinhos se inserem. Uma série de estruturas complementares davam apoio à actividade. Os caminhos eram fundamentais para que fosse possível o acesso de carroças carregadas de cereal e para a subsequente distribuição das farinhas.
Em Pias ainda encontramos bem distintos esses velhos caminhos percorridos ao longo de centenas de anos por gerações ininterruptas de moleiros. A própria ponte, feita com padieiras em pedra, terá sido, certamente, uma obra feita a expensas da comunidade moleira para facilitar a transposição do rio.

OS MOINHOS DE CASAIS SOBRE O RIO MEZIO

O Rio Mezio nasce na Serra dos Campelos, correndo de norte para sul e atravessando quase todas as freguesias que se localizam na parte mais ocidental do concelho. Rasga, esforçadamente, o vale até Covas, sempre vigiado pela Santa Águeda e pelo Amparo, até que alcança a largueza dos campos em Santa Eulália e São Paio.
Foram muitas dezenas os moinhos ao longo do curso deste pequeno rio. Em 1758, só na freguesia de Sousela, o padre refere a existência de 24.
Em São Paio de Casais também os havia em grande quantidade, dando apoio às muitas e grandes quintas que prosperavam nas suas margens. Felizmente, muitos conservam-se e são hoje um inestimável testemunho histórico, patrimonial e social.
Abastecido por uma forte levada, o moinho de Casais é, em todo o seu conjunto, um magnífico exemplar. O pequeno tanque que precede o cubo, o forno no seu interior, a ponte de padieiras – são algumas das características mais interessantes deste moinho.

 

www.cm-lousada.pt/.../Lousada/.../Visitantes_Moinhos+Ro



publicado por José Carlos Silva às 00:39 | link do post | comentar

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