Quinta-feira, 31 de Março de 2011
Terminaram hontem em Nespereira os sermões de quaresma que alli pregou o reverendo Domingos Freire, a convite do dignissimo encomendado padre José Fonseca Pacheco de Souza.

Quizera dar uma idea do talento que admiro n'este jovem orador, não o posso porem fazer, torna~se necessario vel-o e ouvil-o para se avaliar: direi apenas, que nos cinco discursos que proferiu na igreja de Nespereira nos mostrou sempre a sua eloquencia, apresentando-nos o bello e sublime a par da verdade evangela: são mais cinco pedras preciozas engastadas na sua corôa de orador sagrado.

Era impossível a todos os ouvintes esquivarem-se a uma comoção, que lhes penetrava até o intimo d' alma, ouvindo a explicação do Evangelho feita pela voz magnetica de tam distincto orador!

Á aproximação 15 d' abril, todos os fieis tinham fruido a dita de ouvir o reverendo Freire, sentiam nascer-lhe no coração a saudade, mas como no bouquet mimoso sem diversidade de côres, nem jardim vistoso sem variedade de flôres, junto á saudade brutou-lhe a esperança d' ouvir o jovem orador por lhes constar que nas quintas feiras de cada mez de maio pregaria na Capela de Nossa Senhora da Piedade em S. Paio de Cazaes [Casa da Tapada].

Ao orador que conta os seus triunfos pelos seus sermões, e cada vez que sobe ao pulpito colhe uma mimoza flôr na senda que trilha, os meus parabens. Ao incansavel pastor d' almas da freguezia de Nespereira, os meus emboras por ver coroados do mais feliz exito os seus esforços.

Gazeta de Penafiel, 20 de abril de 1870, nº 31, p.2

 

 



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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

 

O projecto da reconstrução do engenho que em tempos serviu para produzir azeite abrange uma área de 1,400 metros quadrados, sendo caracterizado por um conjunto de construções antigas, algumas das quais em xisto, que conferem ao local características rurais.

"A reconstrução do Engenho de Azeite demonstra a necessidade deste povo em preservar e lutar pelo património cultural que muito honra a memória dos nossos antepassados", referiu o presidente da Junta de Freguesia de Sebolido, Manuel Santos, na sua intervenção. "Estas obras", disse, referindo-se também ao saneamento básico, "são consequência de muito trabalho e determinação da junta, mas também do empenho do presidente da Câmara".

Presente na iniciativa, Alberto Santos, falou da riqueza patrimonial do concelho. "Esta iniciativa de reconstrução do Engenho de Azeite vai possibilitar à nossa comunidade conhecer e sobretudo valorizar o seu passado e as nossas tradições", referiu, dizendo que funcionará como uma extensão do Museu de Penafiel.

In verdadeiro olhar



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Quinta-feira, 24 de Março de 2011
 

I - Definição

1 - Casa do Porto

 

2 - Proprietário/família

      

      Actual - João Maria Cabral Peixoto Magalhães

      Antigo - Alberto Porfírio Peixoto Fonseca.

      Apelido Antigo - Vilas - Boas

      Apelido Actual -Peixoto Magalhães109

 

3 - Localização

 

      Lugar - Porto

      Freguesia - Santa Margarida

      Concelho - Lousada

 

II - Classificação Formal

 

Casa com planta em L e capela

integrada à fachada principal, no

topo esquerdo.                                            

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109 - Apesar de até princípios do séc. XX ter prevalecido o nome Vilas-Boas. NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 29.

1 - Relação entre ambas as construções

 

2 - Descrição (arquitectónica) dos edifícios

 

Em termos arquitectónicos é uma casa com planta em forma de L e capela integrada no topo esquerdo da fachada principal, fachada dividida, verticalmente, por pilastras, em três zonas, criando dois panos de parede simétricos que ladeiam um pano central. O frontispício, onde se abre uma portada moldurada com chave ao centro, é ladeada por duas janelas de peitoril gradeadas e no andar nobre, uma janela de sacada, com fecho, encimada por um painel côncavo que o une à cornija, é flanqueada por duas janelas de peitoril. No frontão ostenta a pedra de armas. O pano à direita, no rés-do-chão, mostra duas janelas de peitoril gradeadas, enquanto no primeiro andar exibe duas janelas de sacada. No rés-do-chão, no pano do lado esquerdo, lobrigam-se igualmente duas janelas de peitoril gradeadas e duas janelas de sacada no andar nobre.

No topo esquerdo desta fachada está a capela do Sagrado Coração de Maria. A sua fachada principal foi dividida, verticalmente, em três panos, por duas pilastras, vendo-se no primeiro pano, à esquerda, uma porta de cocheira moldurada. No primeiro andar, mostra uma janela de peitoril moldurada, no frontispício uma portada arquitravada com fecho e lintel curvilíneo encimada por uma janela de peitoril. O pano do lado direito, no rés-do-chão, apresenta uma pequena abertura moldurada, enquanto no primeiro andar se vê uma janela de peitoril. O frontão triangular coroa o pano central. Este é encimado por uma cruz granada e as pilastras são rematadas por fogaréus estriados. A fachada Norte exibe uma janela fixa e uma portada. Umas escadas de um só lanço conduzem ao interior da capela e a fachada Oeste é rusticada, ostentando uma abertura gradeada e envidraçada.

A fachada Oeste, da casa, está dividida em três corpos rectangulares, por duas pilastras, sendo o corpo central um “torreão” de três andares. No primeiro corpo, rebocado, à esquerda, existem quatro aberturas rectangulares, molduradas e gradeadas, estando duas delas tapadas com granito. No primeiro andar vêem-se cinco janelas de peitoril. O corpo central exibe, no rés-do-chão, duas aberturas molduradas e gradeadas; e no primeiro e segundo andar, há em cada um duas janelas de peitoril, enquanto no terceiro andar se vislumbra uma janela dupla de sacada, com alpendre. O terceiro corpo, à direita, apresenta, no rés-do-chão, cinco aberturas molduradas e gradeadas, e no primeiro andar evidencia cinco janelas de peitoril molduradas.

Na fachada Norte, existe uma portada ladeada por quatro aberturas quadrangulares, gradeadas, no rés-do-chão; e no primeiro andar, três janelas de peitoril.

A Fachada Este, do pátio interior, no rés-do-chão, à esquerda, apresenta uma escadaria de três lanços e dois braços - os primeiros degraus são comuns - com gradeamento. Pode ver-se, ao cimo desta, duas portadas e uma janela de peitoril, sendo de referir, ainda, à direita, no rés-do-chão, três portadas e uma janela de peitoril, gradeada. No primeiro andar existem seis janelas de peitoril, gradeadas e duas pequenas aberturas rectangulares envidraçadas, havendo mais uma grande janela de peitoril gradeada, todas molduradas. No segundo andar lobrigam-se três janelas de peitoril. O “torreão” exibe uma janela de peitoril gradeada e moldurada.

A fachada Norte, do pátio interior, exibe uma porta de cocheira, do lado direito; e no rés-do-chão vê-se uma porta moldurada e uma janela de peitoril. No primeiro andar ostenta quatro janelas de peitoril.

 

 

3 - Estado de conservação

 

É bom.

 

4 - Obras/Restauro

       (Datas e que obras foram feitas)

 

      Em 1995 a casa foi pintada exteriormente, procedeu-se ao restauro e conservação das janelas, do telhado, a Poente, e dos tectos. Durante todo o ano são executadas obras de manutenção.110

 

III - Elementos Iconográficos na construção

1 - Pedra de armas

      (Descrição)

 

      Foi mandada esculpir e colocar na Casa do Porto por Manuel Pinto Peixoto de Sousa Vilas-Boas.111 Está colocada na frontaria, no frontão. A época está devidamente datada: 1862.112 É de mármore.

 

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110 - Segundo o proprietário da casa do Porto, João Maria Cabral Peixoto Magalhães.

111 - NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 27.

112 - NÓBREGA, Artur-Osório da - o. c., p. 26 - 2 7.

O escudo é francês moderno, acompanhado de elementos decorativos (volutas e flores estilizadas), que se estendem pelo frontão. Elmo, com a viseira descida, voltado de perfil para a direita, com virol e timbre.113

 

Escudo:

Composição: esquartelada.

Leitura:

 

I PEIXOTO (moderno)                                                                                    (1)

 

II PINTO                                                                                                          (2)

 

 III SOUSA, dito de Arronches                                                                        (3)

 

 IV VILAS-BOAS                                                                                           (4)

 

Timbre de PEIXOTO (moderno)

 

1) PEIXOTO (antigo): Xadrezado de ouro e de vermelho, de cinco peças em faixa e seis em pala; e PEIXOTO (moderno): xadrezado de ouro e de azul, de seis peças em faixa e sete em pala. Na pedra de armas temos um xadrezado de cinco peças em faixa e cinco em pala, com a cor azul indicada nas peças pares.

(2) Cinco crescentes. Cada crescente constituído por dois planos que formam entre si um ângulo diedro convexo, na pedra de armas.

(3) Esquartelado: o I e o IV com cinco escudetes postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes, e bordadura carregada de sete castelos, e um filete posto em contrabanda, brocante sobre tudo; o II e o III com uma quaderna de crescentes. Neste quartel do escudo: no I e no IV faltam a bordadura com os castelos e o filete em contrabanda; no II e no III temos uma flor de quatro pétalas, má interpretação da quaderna de crescentes. Este quartel de SOUSA (de Arronches) devia estar no I do esquartelado do escudo pelo privilégio que compete às Armas do Reino.

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113 - NÓBREGA, Artur-Osório da - o. c., p. 27.

 (4) Esquartelado: o I e o IV com um castelo tendo a torre do meio rematada por uma palma; o II e o III com um dragão volante. Faltam as palmas e os dragões estão voltados.

      (5) Um corvo-marinho com um peixe no bico.114

 

2 - Cronologia

      (Datas inseridas na construção)

Não tem.

 

IV - Outros dados históricos

 

      Segundo o proprietário desta casa, a fachada principal foi edificada, propositadamente, para nos seus salões receber o Rei D. Miguel, que por ironia do destino e da fortuna nunca chegou a vir a Lousada. Nela residiu o último Capitão-Mor de Lousada.

 

V - Situação da Casa

 

A Casa do Porto queda-se no meio de campos, da mesma quinta que lhe dá o nome, muito próxima da estrada nacional que liga Lousada a Felgueiras, na freguesia de Santa Margarida, a poucos metros da Igreja Paroquial. Acede-se por uma alameda em latada, em terra batida, até se encontrar um portal que permite a entrada para o terreiro da sua fachada principal. O portal é em “ferro forjado, (…) do século XIX, datado de 1862, formado por quatro folhas, sendo duas delas muito estreitas e fixas, além da sobreporta. [Apresenta] um friso inferior formado por “UUU” ligados costas com costas, com as pontas enroladas para dentro. A meio e a finalizar o portal temos frisos com meios “SSS” com as pontas enroladas para dentro ou para fora. As folhas são formadas por réguas e fitas finas, formando as fitas “VVV” invertidos com as pontas decoradas. A sobreporta é formada por uma faixa larga de formato rectangular e termina com um desenho que mais parece um arranjo floral. O friso inferior é formado por meios “SSS” com as pontas enroladas para dentro ou para fora, seguindo-se uma faixa larga com varas a formarem losangos, tendo no centro uma esfera, que termina com “UUU” ligados costas com costas, com as pontas enroladas para dentro. A parte superior da sobreporta tem o formato de um arranjo floral formado por meios “SSS” com as pontas enroladas para dentro ou para fora.

      Do ponto de vista arquitectónico temos duas colunas fasciculadas com meias colunas adossadas, em silharia, de fiadas regulares. No capitel verifica-se que faltam elementos decorativos.1 

 

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114 - NÓBREGA, Artur-Osório da - o. c., p. 27.

115 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 63. 

                                                                                                                                               

VI - Fontes Primárias/Documentais

   Não encontradas.

VII - Bibliografia

 

- À Descoberta do Vale de Sousa-Rotas do Património Edificado e Cultural… 2ª Edição. Lousada: Editores Héstia. 2002.

- BATISTA, João Maria - Chorographia Moderna do Reino de Portugal. Lisboa: Typpograhia da Academia Real das Sciencias, vol. II. 1875.

- BARREIROS, G. Bonfim - Janelas Portuguesas. Porto: Livraria Galaica Depositária. [s/d].

- CARDOSO, P. Luís -  Dicionário Geográfico, ou Noticia Histórica de Todas as Cidades, Vilas, Lugares, e Aldeias, Rios, Ribeiras, e Serras dos Reinos de Portugal, e Algarve, com todas as coisas raras, que neles se encontram assim antigas, como modernas. Lisboa: Regia Oficina Sylviana, da Academia Real, Tomo II. MDCCLI

- Carta Militar de Portugal - Lisboa: Edição do Instituto Geográfico Do Exército. Escala 1: 25 000, Série M888, Penafiel, Folha 112, N.º 4. 1998.

- Casas de Sousa - Associação de Turismo no Espaço Rural do Vale de Sousa. Lousada: Terra de Sousa. Programa Leader II. [s/d].

- COSTA, P. António Carvalho da - Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do famoso Reyno de Portugal Com as Noticias das Fundações das cidades, Villas, e Lugares, que contem, varões ilustres, Genealogias das Famílias nobres, fundações de Conventos, Catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios, & outras curiosas observaçoens. Segunda Edição. Braga: Typographia Domingos Gonçalves Gouveia. 1868.

- D’ ALMEIDA, José Avelino - Diccionario Abreviado de Chorografia, Topografia, Archeologia das Cidades, Villas e Aldêas de Portugal. Valença: Typographia de V. de Moraes, vol. I, 1866.

- Dicionário Enciclopédico Das Freguesias - Lisboa: Edição da ANAFRE, 1996.

- Ecos - Porto: Edição da Direcção Geral de Apoio e Extensão Educativa, Coordenação Distrital do Porto, N.º 17. [s/d].

- História das Freguesias e Concelhos de Portugal - Lisboa: Edição do Jornal de Noticias e da Quidnovi, vol. 9. 2005.

- Jornadas Europeias de Património. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 2003.

- LOPES, Eduardo Teixeira - Lousada e as suas freguesias na Idade Média. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2004.

- Lousada - A Vila e o Concelho. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1993.

- Lousada - Terra Prendada - Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1996.

- Lousada (Subsídios para a sua Monografia) - Lousada: Coordenação Concelhia de Lousada, Direcção Geral Da Extensão Educativa. 1989.

- NÓBREGA, Vaz-Osório da - A Heráldica De Família No Concelho De Lousada. Aditamento a “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959). Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1999.

- OLIVEIRA, Rosa Maria - Portões e Fontes do Concelho de Lousada. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2003.

- Planta topográfica. Escala: 1:2000. Lousada: Câmara Municipal de Lousada. 2005.

- Presidentes da Câmara Municipal de Lousada Desde 1838 até 1900. Lousada: Edição do Arquivo Histórico e Municipal de Lousada. 2003.

- Revista de Lousada 3 - Suplemento Ao Jornal Nº 321 TVS - Terras do Vale de Sousa - 5 de Março de 1991.

- SILVA, José Carlos Ribeiro da - As Capelas Públicas de Lousada. Seminário de Licenciatura em História-Variante Património. Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Policopiada). 1997.

- VIEIRA, José Augusto - O Minho Pitoresco. 2ª Edição, Valença: Edição Rotary de Valença, Tomo II. 1987.



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Domingo, 20 de Março de 2011

Ficha de Inventário

Capelas Públicas de Lousada

- Edifício - Capelas - Arquitectura -

Capela de S. Cristovão 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identidade(Anterior/Actual)

Capela de S. Cristovão

 

Data construção

Séc. XVIII

Localização 

St.ª Águeda - Sousela

 

Inserção  Ed. no Património

Lugar de St.ª Águeda - Sousela

 

Classificação Oficial 

Capela pública

 

Proprietários

Igreja de Sousela

 

Regime Jurídico

Público

           

Estado de Conservação

Excelente     

Bom    X 

Razoável

Mau

 

Protecção e Valorização

Existente

Recomendável   X

 

Análise Arquitectónica:

 

Na base da sua frontaria pode ver-se três gárgulas em forma de máscaras humana. A capela de S. Cristovão é em cantaria de junta tomada (irá ser).

As gárgulas são sobrepujadas por uma almofada.

A frontaria mostra-nos um arco de volta perfeita peraltado, vendo-se as impostas, tapado com simples tijolos de “mecam”, tendo nessa parede uma pequena abertura - em arco de volta perfeita - e duas pequeninas frestas rectangulares e verticais.

O remate do entablamento é feito por imagens, esculturas em granito, de que não é fácil distinguir o seu nome, dado o grau de deterioração que apresentam.

Sobrepujando o frontão, S. Cristovão, igualmente uma escultura em granito (a precisar de restauro).

No alçado esquerdo há uma porta que dá acesso ao templo e é precedida por uma pequena escadaria.

O alçado norte tem sobrepujando o frontão, uma escultura - assente no acrotério (todas as esculturas que representam imagens de santos ou dignatários da Igreja e até figuras equestres, assentam em acrotérios) - de um santo, doutor ou dignatário da Igreja. E os remates do entablamento são feitos por esculturas em granito que representam imagens de santas (de difícil identificação).

O alçado direito tem uma pequena porta que permite o acesso ao pequeno templo.

 

 SILVA, José Carlos Ribeiro da - As Capelas Públicas de Lousada, U. Portucalense, 1997

 

 



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Segunda-feira, 14 de Março de 2011

      O Concelho de Lousada no séc. XVIII, conheceu, dentro do dinamismo da arquictetura civil, a afirmação da casa nobre. Na Rua do Torrão, actual Rua de Santo António, e a mais antiga da Vila de Lousada, não se edificou um grande número de casas nobres. Hoje, a maioria, desempenha funções diversas (Câmara Municipal, infantário, drogarias, centros comerciais, cafés, bares, Jardins de Infância e restaurantes) e, indiferentes às razões para que foram projectadas, não passam de reminiscências. É para além do perímetro, primeiro da Rua do Torrão - depois Vila de Lousada - que se vai edificar a casa nobre do século XVIII.

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353 - Segundo os Senhores de Argonça, em meados do século vinte, as estatuetas que representam as quatro estações do ano, foram trasladadas do portal da entrada para o portal do terreiro da casa, para evitar o seu furto. Cf. vol. II, p. 22.

354 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 127.

355 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 129.

356 - O antigo topónimo era Cam, e deu o nome a esta casa. A. D.P., Secção Notarial, Po-1, 1ª Série, Livro n.º 49, 1807, fl. 18v.

357 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 94.

358 – Informação de D. Cecília Soares de Moura. Cf. OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 96.

359 - Segundo a proprietária desta casa, D. Cecília Soares de Moura. Cf. OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 96.

360 - “Este portal localiza-se no lado esquerdo da Capela da Lama, e foi durante algumas gerações, a entrada principal da casa. Do ponto de vista arquitectónico é formado por quatro colunas adossadas e encimadas por pináculos pontiagudos, que datam de 1988, foram mandados colocar pelo actual proprietário, e têm os laterais mais baixos que os centrais. A técnica utilizada foi a de silharia, de aparelho regular. A parede entre colunas é de cimento pintado de branco.” OLIVEIRA, Rosa Oliveira - o. c. , p. 58 - 59.

            Não há no concelho de Lousada qualquer casa-torre. Existem casas com torres, não datadas. De que são exemplo as casas da Bouça, Ribeiro, Ronfe, Outeiro e Valteiro. Alguns proprietários destas casas, afirmaram que as torres foram edificadas ao longo do séc. XIX.362

            A casa nobre363 lousadense do século XVIII insere-se nas características definidas por Carlos de Azevedo e adoptadas por Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves para a casa nobre em geral, na sua obra: “ A Casa Nobre No Porto Na Época Moderna.” Os aspectos que a definem centram-se: “no esforço arquitectónico e decorativo concentrado na fachada; no desenvolvimento horizontal, criando longas fachadas, articuladas com pilastras lisas pouco salientes, e acentuadas, sobre os telhados, por ornatos (urnas, fogaréus e pináculos); na existência de um piso dominante, o andar nobre, com janelas «quase sempre mais ricas do que no andar térreo»; na acentuação da linha superior do edifício (emprego de frontões); na importância da entrada nobre, «enriquecida com colunas e pilastras», sustentando «balcão com parapeito ou simples grade, continuada por uma janela central de tipo mais rico e rematada pelo brasão de armas da família», criando-se assim um eixo vertical que divide a fachada em duas zonas iguais (…).”364A casa nobre no concelho de Lousada é, igualmente, definida por “fachadas rasgadas por janelas de sacada e janelas de peitoril, com ombreiras, peitoris e lintéis lisos. As portadas são também simples.”365 É esta a forma que iremos ver na casa de Argonça, Cam. Na escadaria interior e exterior há “um «maior desenvolvimento» e variedade, aparecendo no interior das casas caixas de escada, de arquitectura cuidada, onde surgem escadarias de lanços convergentes e divergentes a partir de patamares. (…).”366 As escadarias setecentistas lousadenses exibem modelos muito interessantes, como a da casa da Bouça, Juste, Lama, Outeiro, Real, Renda, Ribeiro, Rio Moinhos, Valteiro e Vila Verde.

            A casa com capela integrada na fachada desenvolve-se durante o século de setecentos e ganha uma expressão muito própria. As Casas do Valteiro, de Real, e do Ribeiro, são alguns exemplos. Na casa nobre lousadense há um grande número de casas com capelas adossadas à direita ou à esquerda da fachada. Em contrapartida, poucas são as casas isentas de capelas ou com capelas isoladas.

            De salientar também que nem todas as casas possuem pedra de armas na fachada principal ou em qualquer outra.

            As diferentes características permitem criar tipologias, que terão o seu devido tratamento no terceiro capítulo.

           Enquadrada na ideia apresentada por Anne Stoop, na sua obra: “Palácios e Casas Senhoriais do Minho”, as casas nobres de Lousada eram “aristocráticas”e muitas vezes tiveram que ser construídas por “fases a fim de abrigarem as sucessivas gerações367 e por isso foram-se “modificando segundo as necessidades e disponibilidades financeiras de momento.368

            Em síntese, na casa nobre lousadense, no séc. XVIII, assistimos ao desenvolvimento das fachadas principais e vemos enriquecerem-se as janelas e as portadas com decoração envolvente, assim como o aparecimento de frontões para exibição da pedra de armas, como acontece nas casas da Bouça, do Porto, de Ronfe. E é necessário realçar outro aspecto fulcral da história destas casas: foram ao longo dos séculos o berço onde nasceram, se criaram e educaram grandes figuras da igreja e do governo do concelho de Lousada, da diocese do Porto, tendo alguns logrado atingir altos cargos ou dignidades nos destinos do Reino: em Lisboa, como deputado, o Conde

de Alentém foi disso exemplo. Destas casas nobres brotaram, tanto nas armas como nas letras, padres, dignitários da igreja, membros de ordens religiosas, militares, administradores concelhios e governadores civis, deputados, Cavaleiros da Ordem de Cristo, Bispos, professores e reitores de universidades, sargentos e capitães-mores de ordenanças, notários, escrivães, juízes do crime, cível e órfãos. Representaram ainda a assistência social e educacional da população vizinha, quando habitadas em permanência pelas antigas famílias.369

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361 - “Um muro de granito -, rodeia o jardim -, com aparelho de fiadas regulares, que tem sete colunas, coroadas por urnas fechadas. Sendo quatro delas pertencentes a dois portais. Estes são em ferro fundido com duas folhas, e a parte inferior de cada portal é em chapa e em ferro, com rosetas. Foi D. Maria Alice Castro Neves Pinto Garcês que desenhou os portais, os gradeamentos e o muro, e mandou executar o projecto.” OLIVEIRA, Rosa Oliveira - o. c., p. 59.

362 - Informação do Dr. João Cabral, da Casa da Bouça e Carlos Costa Lima de Sousa Guedes, da Casa do Outeiro.

363 - BLUTEAU, Rafael - Vocabulario Portuguez & Latino. Lisboa: Na Officina de Pascoal da Silva, 1716, tomo 5, p. 731.

364 - FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime B. - o. c., p. 15-16. CF. AZEVEDO, Carlos de - o. c., p. 19. Cf; STOOP, Anne - o. c., p. 12.

365 - FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime B. - o. c., p. 15-16. CF. AZEVEDO, Carlos de - o. c., p. 19.



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Sábado, 12 de Março de 2011

 

 

Nas corografias, nos dicionários geográficos, nos jornais, assim como nas monografias, o concelho de Lousada é analisado sobre aspectos pitorescos, políticos e sociais.

 

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18 - Exactamente as mesmas freguesias que Pinho Leal indica na sua obra: “Portugal Antigo e Moderno”. Os corografistas repetem-se e, muitas vezes, enganam-se. Eles mesmo o reconhecem: “Depois os proprios chorographistas vêem-se em papos de aranha para explicar onde é a sede do concelho, ora confundindo Silvares e Louzada, ora tomando as parochias de Santa Margarida e S. Miguel de Louzada, como núcleo central da povoação, quando, averiguado o caso, a villa não é realmente senão uma parte de SILVARES, parte chamada antigamente o Torrão, que se desenvolveu e ampliou, deixando na humilde posição primitiva a velha matriz parochial.” VIEIRA, José Augusto - o. c., p. 353 -  354.

19 - O pelourinho de Lousada é Monumento Nacional por Decreto de dezasseis de Junho de mil e novecentos e dez. “Tem três degraus quadrados em esquadria, todos eles com o bordo superior saliente e boleado. A coluna salomónica assenta numa base quadrada de pouca altura seguida de largo anel boleado. O fuste é expressivo no seu bem delineado enrolamento com os torcidos largos que se desenvolvem da esquerda para a direita. Vem a terminar num anel bem saliente e boleado. Por peça de coreamento possui um tabuleiro quadrangular tronco-piramidal invertido que a meio da sua altura tem molduramento a toda a volta em forma de pequenos cubos. Nos cantos da parte superior ainda se notam as calhas onde pousavam os braços de ferro com argola. A parte terminal do pelourinho já não existe (…). O pelourinho é do século XVI.” SOUSA, Júlio Rocha e - Pelourinhos do Distrito do Porto. Viseu: Edição do Autor. 2000, p. 26 e 48.

20 - PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme - Portugal, Diccionario Histórico, Chorographico, Biographico, Bibliographico, Heráldico, Numismático e Artístico. Lisboa: João Romano Torres & C.A Editores. vol. IV - L. M, 1909, p. 559. Cf. COSTA, Américo - Diccionario Chorografico de Portugal Continental e Insular, Hydrographico, Historico, Orográfico, Archeologico, Biographico, Heráldico e Etymologico. Villa do Conde: Typograhia Privativa do Diccionario Chorographico. vol. VII, 1940, p. 809 - 810. Guia de Portugal. Entre Douro e Minho - Douro Litoral IV. Fundação Calouste Gulbenkian: 1994, p. 624.

Prestes a terminar o penúltimo decénio do século XIX, a parte moderna da Vila de Lousada tinha a sua praça ajardinada, com os seus terrenos irregulares, onde se edificava o majestoso templo do Senhor dos Aflitos e o moderno edifício do tribunal. Num recanto da Praça e Largo do Senhor dos Aflitos, ficava a Hospedaria Lousadense.21 Em 1907, a vila assentava numa ampla colina, situada a trezentos metros de altitude, na parte superior do vale do rio Sousa, e era uma das mais “bellas localidades d’ entre Douro e Minho, pois possuía elegantíssimas praças, ruas largas e bem traçadas.”22 Parecia quase não ter história, pois apenas se guardava no arquivo da Câmara Municipal “a carta de foral com que a munificencia d’el Rei D. Manoel a dotou.23  Em 1920, era uma terra de 1385 habitantes, pacata e com o seu casario branco e disperso, e do alto do seu templo podiam abarcar e admirar-se os seus belos e rústicos arredores.24

Lousada era terra do “vinho verde e de latadas, do feijão e do milho, dos jugos trabalhados em madeira entalhada, semelhante às velhas arquibancadas conventuais com seus lindos boizinhos piscos de alta cornadura, de belo desenho em lira, e do carro de eixo móvel girando em admirável cântico vespeiral de louvor a Deus.”25 E como em todo o Entre Douro e Minho, também Lousada “era um alfobre de solares, desde a torre medieval, ao pequeno solar de granito pardo com o portão ameado e brasonado, e a escada exterior, a capela setecentista, aos múltiplos exemplares de arquitectura fidalga e barroca do séc. XVIII.26

 

 

________________________________

 

21 - BOAVENTURA, São - Saudades! Saudades! Lousada e os seus homens de há 40 anos 1899-1939. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1997, p. 8.

22 - SILVA, Augusto Ribeiro da - Villa de Louzada. Jornal de Louzada. Lousada (22 de Setembro de 1907), p. 4.

23 - Guia de Portugal. Entre Douro E Minho - Douro Litoral IV. - o. c., p. 622.

24 - D’ AURORA, Conde - Antologia da Terra Portuguesa. (Direcção Literária de Luís Forjaz Trigueiros e Prefácio do Conde D’ Aurora). Lisboa: Livraria Bertrand, [s/d], p. 17- 18.

25 - D’ AURORA, Conde - o. c., p. 18.

26 - D’ AURORA, Conde - o. c., p. 18.

 

 

 

  

 

Quando o século XIX está prestes a terminar, surge, neste concelho, um grupo de homens talentosos para a política. Lousada se fez comarca, e recortou o solo com estradas, edificou o templo do Senhor dos Aflitos e fundou escolas; pela política e para a política viveu, como se regeneradores e progressistas,ciosos uns dos outros, tivessem um só objectivo: o seu progresso.27

Em 1899, chegava a Lousada um novo administrador, de seu nome, São Boaventura28 - um Progressista entre Regeneradores. O concelho, à época, era dominado pelos ideais do partido Regenerador, de que tinha sido chefe o conde de Alentém;29  era presidente da Câmara, José Freire da Silva Neto,30 sendo vereadores, Cristóvão de Almeida Soares de Lencastre, da casa de Alentém, Adolfo Peixoto de Sousa Vilas-Boas, da Casa de Rio de Moinhos, Miguel António Moreira de Sá e Melo, da Casa de Sá, Bernardino Ferreira Coelho, Carlos Augusto da Silva Teles e José Luís da Silva,31 e como secretário  José Teixeira da Mota,32 da Casa do Tojeiro.

________________________________

 

27- VIEIRA, José Augusto - o. c., p.355.

28 - Augusto Eliseu de São Boaventura, natural de Lisboa, que em 1899 desempenhou o cargo de Administrador em Lousada, e em 1939 publicou as suas memórias: “Saudades! Saudades! ”. Cf. Lousada - Colectânea de Autores Locais. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousaa, 2002, p. 51.

29 - António Barreto de Almeida, senhor da Casa de Alentém. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

30 - Da casa do Carvalho e líder local do Partido Regenerador. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

31 - Todos gente distinta e pertencente às melhores famílias do concelho (…).” BOAVENTURA, São - o. c., p.  8

32 - Director do Jornal de Lousada, que fundou em 1907. BOAVENTURA, São - o. c., p.  8.

Numa visita de cortesia, quando ainda não tinha assumido o cargo de administrador, de um “dos recantos mais maravilhosos de todo o Minho tão lindo e tão pitoresco!”33 foi cumprimentar as mais distintas e ilustres figuras nobres e políticas do concelho. O primeiro foi o Visconde de Lousada34,seguindo-se-lhe o Visconde de Sousela, e ainda teve tempo de se deslocar à Casa da Tapada para conversar com Manuel Peixoto de Souza Freire: “ Não porque fosse politico, mas porque era o maior benemérito dessa nobre terra de Lousada e um homem de rara ilustração e incontestável aprumo moral.”35

 

 

 

 

 

________________________________

 

33 - BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

34 - O prestigiado líder, local, do Partido Progressista. BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

35 - Os Viscondes de Lousada e de Sousela eram os proprietários das casas do Cáscere e do Ribeiro, respectivamente e Manuel Peixoto de Souza Freire era proprietário da Casa da Tapada. BOAVENTURA, São - o. c, p. 8.

36 -“Local de culto das letras e de debate de ideias e ideologias, ali se actualizavam as novidades e se congeminavam estratégias políticas e acções cívicas. Mas foram sobretudo as actividades recreativas [os bailes e as quermesses] que se tornaram memoráveis.” O Século XX em Lousada 100 Factos & Personalidades. Lousada: Edição da Câmara de Lousada. 1999, p. 56.

Mas Lousada não se quedava só em mostrar as suas belezas pitorescas e o seu fino trato e talento para a política. Era também uma terra que gostava de folgar e de se divertir em bailes - de que já há notícia nos anos setenta, da centúria de oitocentos.37

Nos bailes, dessa época, dançava-se a contra-dança38 e a valsa39 e jogava-se o whist.40 As toilettes nem sempre eram novas, havendo quem distinguisse “ (…) os vestidos novos dos transformados, (…),41 conhecesse “o nome e o preço das fazendas, das rendas e das fitas, o número de metros que em tudo isso se tinha gasto, (…),42 chegando ao ponto de saber quem tinha “fantasiado e executado tanta elegancia, em que dia chegaram do Porto todos os enfeites, e até a gratificação que se tinha dado às recoveiras. (…).43 E apesar  das famílias viverem a grandes distâncias e do baile se realizar no inverno, nada obstava a que se apresentassem com(…) tão boas toilettes!”44

No final do século XIX um baile tinha importância, imponência, distinção, graça e delicadeza, caracterizado que era por um ambiente de bem-estar, de alegria e de sedução. Dançavam-se polcas,45 mazurcas46 e quadrilhas, e as senhoras eram rainhas, os homens seus vassalos, e tinham um lugar do maior destaque; mal assomavam, eram respeitosamente saudadas, levadas pelo braço até ao vestiário, e depois ao salão, onde se lhes fazia a corte.47

________________________________

 

37 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

38 - Dança de quatro ou mais pares uns defronte dos outros. Também significa quadrilha. Quadrilha -Dança alegre e movimentada, que originalmete se dançava só com quatro pessoas. Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa - o. c., p. 225.

39 -Dança a três tempos. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - Dicionário da Língua Portuguesa. 5ª edição, Porto: Porto Editora, LDA, [s/d], p. 1556.

40 - Nome de um jogo de cartas inglês. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o.c., p. 1556.

41 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

42 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

43 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

44 - X - Um Baille Em Louzada. Gazeta de Penafiel. Penafiel. (2 de Fevereiro de 1870), p. 1.

45 - “Espécie de dança boémia, e respectiva música a dois tempos.”. COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o. c., p. 1119.

46 - “Dança a três tempos, originária da Polónia.” COSTA, J. Almeida, MELO, A. Sampaio - o. c., p. 925.

47 - BOAVENTURA, São - o. c. p. 20.

Os bailes eram um acontecimento eminentemente social e político, que acontecia nas casas nobres, na Assembleia Lousadense48 e, porventura, no edifício da câmara. Oportunidade excelente para os senhores da casa apresentarem os seus convidados, estabelecerem convivência, e, nas assembleias, os directores exercerem a correspondente missão.49

E enquanto um baile não se iniciava, os cavalheiros permaneciam junto das damas, prestando-lhe as suas homenagens; se dançavam, primeiro pediam licença à mãe ou pessoa respeitável que as acompanhava, e só depois de concedida a autorização, podiam tirar o seu par.

Quando o século vinte estava a um decénio de alvorecer sobre o esplendoroso templo do Senhor dos Aflitos, a nobre Lousada dançava, recitava, cantava, ao som do piano, e “As lindas, lindas? Lindíssimas! Senhoras da aristocracia lousadense formavam um precioso ramalhete das mais belas e das mais perfumadas flores e os rapazes eram finos, respeitosos, educados. 50 Eram os cavalheiros que serviam o chá, a ceia e o chocolate, e quando o sol já irrompia, e o baile terminava, acompanhavam as damas aos carros, que as levavam às suas casas.51

Naquela época, os bailes da Assembleia Lousadense “deram brado, (…)”52 perdurando no fio indelével da memória colectiva da fina e deslumbrante Lousada.

 

 

 

 

    ________________________________

                                                                                  

48 - A Assembleia Lousadense era o ponto de encontro, por excelência, para onde convergia toda a aristocracia lousadense, principalmente a partir dos finais do século XIX. Foi fundada em 1864. O Século XX em Lousada, p. 56.

49 - BOAVENTURA, São - o. c., p. 20.

50 - “Havia animação, palpitavam corações, surgia o amor. (…). Os bailes da Assembleia Lousadense eram assim. (…). Assisti ao baile oferecido no Quai de Orsay, em honra de D. Carlos I, que maravilha! (…) Mas os bailes de Lousada!”BOAVENTURA, São - o. c.,p. 20.                                                                                                                                                                                                               


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publicado por José Carlos Silva às 19:22 | link do post | comentar

 

De facto, a vetustez é atributo que sobressai e aparece exemplificada em topónimos de origem celta, romana, sueva ou árabe, espalhadas por todo o Concelho. E também monumentos: quase todas as freguesias têm uma ogiva ou uma calçada, um túmulo ou um castro a comprovar a sua antiguidade. Pelo menos, uma lenda, um tesouro escondido ou uma moura encantada que daqui não quis arredar.

Lousada tem orgulho em si própria porque tem muito a ver com a fundação de Portugal, como todo o Vale do Sousa, esteja ou esteja o facto devidamente salientado, pois não faltam notíccias de santos que aqui ergueram mosteiros, de reis, rainhas, príncipes e princesas que nestes vales e montes se criaram, brincaram e cavalgaram, vigiados pelos aios, desde o sempre honrado Egas Moniz, à sua filha D. Urraca e a Estefânia Soares de Riba de Vizela ou ao Conde de Vizela, que nesta terra terão orientado e amado como filhos alguns dos primeiros Afonsos, Sanchos ou Mafaldas que Portugal houve.

Daqui são oriundas as nobres famílias dos Sousas e Leitões, famílias que se cruzaram entre si e com as da Maia, de Baião, de Ribadouro, de Riba de Vizela ou com a de Soverosa - afinal as que «filharam Portugal». Alguns dos seus descendentes se uniram à casa real.

(...), ..., embora para caracterizar o Concelho, fosse suficiente apresentar dois factos: ter sido Lousada a primeira sede da diocese do Porto e ter sido Lousada o berço da família «mais principal» de Portugal.

 

MOURA, Augusto Soares - In Lousada Antiga, 2009

 


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publicado por José Carlos Silva às 18:56 | link do post | comentar

Quarta-feira, 9 de Março de 2011

Quem vem de Lousada (centro da Vila) e toma a estrada de Arcas - Boim em direcção a Meinedo, após o Cruzeiro (apesar das moradias que tapam a visão), cem metros volvidos vai deparar com o Monte de S. Jorge. Se se aventurar até ao alto, até ao cume, irá encontrar a Ermida de S. Jorge, actualmente ampliada. Ainda há pouco mais de seis anos era uma pequena e linda capela em granito do séc. XVIII. Em 1990/91, fizeram-lhe um acrescento no mais puro betão da modernidade.

É em Abril que se realizam as festas em sua honra.

S. Jorge é o Santo dos animais. Era (e é, só que cada vez menos) benzer os bovinos durante a missa solene da romaria em sua honra.

 

Algumas Considerações Artísticas.

 

A capela, formada por uma nave e capela - mor. A capela - mor, do séc. XVIII, primeira metade, e a nave, nova, da década de 90, moderna, a de betão.

Ao longo dos anos foi sofrendo intervenções, a última que lhe escondeu a maior parte das suas potencialidades arquitectónicas, foi em 1991/92.

Não consegui saber ao certo a data da sua construção, pelas características que apresenta - a ermida primitiva - é do séc. XVIII, o acrescento em betão é de 1991/92 e quase que “matou” a beleza da pequena ermida setecentista.

Está bem preservada.

Quem fez este último restauro e ampliação foi uma das Comissões das Festas de S. Jorge e na nova “torre” ficou gravado esse gesto. Este gesto pode entender-se como a afirmação de prestígio daqueles homens na comunidade local.

A análise artística tem que ser feita em três tempos distintos: - do seu todo, da ampliação moderna e da estrutura primitiva.

Se olharmos actual alçado principal - na direcção sul - veremos uma fachada em betão, ferro e vidro.

A meio da fachada principal deparamos com a estrutura - horizontal - de ferro e vidro. O portal de entrada é sobrepujado pela parte terminal da cruz, esta inicia-se no próprio portal (na justa junção do mesmo).

Este alçado principal - a sul - é a expressão artística da modernidade actual.

Olhando-se melhor, vislumbra-se a cruz luminosa que se encontra mesmo à frente do alçado norte, numa “torre” plena de modernidade e também em betão. O alçado direito deixa-nos ver uma parede em betão cortada a meio e na horizontal por uma estrutura em metal e vidro, e esta não atinge a parte total desta nova nave, havendo um espaço que remata, mas só em betão. O encontro da nova estrutura em betão com a fachada principal da ermida de S. Jorge (séc. XVIII) é feito através de uma meia - lua em betão, havendo a parte plana - tipo espelho - em ferro e vidro.

Esta estrutura em ferro e vidro funciona como veículo de iluminação natural da moderna nave da capela de S. Jorge.

Este alçado dá-nos ainda a visão de parte do seu frontão, e no seu topo, assente numa base em granito, uma cruz que encima aquela que era a fachada principal da Ermida de S. Jorge, que deixou de ser vista, mas que não desapareceu. Quem entra no Templo logo vê a antiga fachada que dá acesso à nave primitiva.

É também visível o aparelho granítico, o telhado de uma água, as pedras de juntas tomadas, já foram rebocadas. Assim como se vê, parte do frontão do alçado norte, a sua cruz em base granítica e o remate do entablamento em pirâmide de cantaria trabalhada.

Igualmente se vê a parte superior da “torre” em betão, com coreto, e no seu topo uns altifalantes que dão as horas, e mesmo no cume uma artística cruz em fibra branca que se ilumina durante a noite.

Quem olha o alçado esquerdo tem a mesma visão da actual ermida que foi referida para o alçado direito.

O alçado norte dá-nos uma perspectiva algo contrastante.  

Mesmo à sua “frente” temos uma “torre” em betão, assente numa “almofada”, numa base, com dois degraus, “torre” que tem uma balaustrada em betão, perto do seu topo, altifalantes e uma artística e branca cruz na sua parte final e que tem por base os altifalantes, servindo esta para iluminar o Monte de S. Jorge e tranquilizar e espírito de todos aqueles que residem em Boim. Nesta torre, quase na base em letras douradas “Fundadores, Comissão de Festas S. Jorge - 1992.”

Olhando-se em frente depara-se com o alçado norte da antiga ermida em cantaria de junta tomada. Não se consegue ver a cruz que encima o frontão (é completamente tapado pela “torre” em betão). Vê-se sim que o remate do entablamento é feito por duas pirâmides em granito e trabalhadas em extremos opostos.

Quem olha, a partir do alçado norte, vê na perfeição, o equilíbrio do “encaixe” da meia-lua em betão, com a fachada principal da ermida primitiva.

Quem olha a capela de S. Jorge de Boim tem um “choque”. Ao primeiro olhar, até parece que quem perdeu foi a antiga Ermida. E “perdeu”. A nova estrutura oprime o seu real valor arquitectónico. Mas por outro lado quase que obriga os romeiros, turistas e estudiosos a olharem com mais atenção a ermida em cantaria que faz com o betão uma dinâmica e um dualismo contrastante.



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Terça-feira, 8 de Março de 2011
 

O Cruzeiro Paroquial

 

Situa-se no lugar da Igreja, no meio de um entroncamento, em local sobranceiro e aproximadamente a duzentos metros da Igreja matriz.

É propriedade da Igreja Católica.

Construído em granito.

Desconhece-se a data em que foi edificado.

Encontra-se em bom estado de conservação.

A cruz é quadrangular, golpeada nas pontas e assenta sobre um globo que mais parece uma pinha.

O capitel é de ordem toscana.

O pedestal é composto pela cornija, dado cúbico e soco. A cornija e o soco são mais salientes que o dado.

A plataforma é quadrangular e de um só degrau, mas pode ainda ver-se vestígios de um segundo degrau.

Este Cruzeiro é um dos mais belos e monumentais do concelho.

 

 O Cruzeiro do Cemitério

 

Está implantado no meio do Cemitério, sito no lugar da Igreja.

É propriedade da Junta de Freguesia de Lousada (Santa Margarida).

Construído em granito e em data que se desconhece.

Esta em bom estado de conservação.

A cruz é alta e assenta directamente no fuste. A cruz tem um crucifixo em metal.

O fuste é oitavado na sua quase totalidade, pois junto à plataforma é quadrangular.

A plataforma é quadrangular e tem dois degraus.

 

 O Cruzeiro do Lugar da Capela

 

 Situa-se na margem direita da estrada nacional Lousada/Barrosas, no lugar da Capela.

É um Cruzeiro de limite de Capela, pertencia à Capela da Casa de S. José que foi destruída.

Actualmente é propriedade da Igreja Católica.

Construído em granito em data que se desconhece.

O estado de conservação é razoável.

A cruz é latina e quadrangular e a encimá-la tem uma série de volutas, o que lhe dá um aspecto de Cruzeiro com coroa. A cruz está ornamentada com um desenho em forma de sol e toda ela está repleta de losangos.

O fuste assenta sobre a cornija. O pedestal, além da cornija, é também composto pelo dado.

 

 O Cruzeiro da Capela de Santo Amaro

 

Está edificado no topo nascente do Adro da Capela de Santo Amaro, sita no lugar com o mesmo nome.[4]

É um Cruzeiro de limite de Capela construído em granito.

Está em bom estado de conservação.

É um Cruzeiro robusto, sem ser artístico ou elegante, mas belo na sua rudeza.

A cruz é latina, quadrangular e simples.

O fuste é quadrangular nas partes laterais e diminuído na central.

O pedestal é formado pela cornija e pelo dado cúbico.

A plataforma é quadrangular e tem dois degraus.

Este Cruzeiro é um dos mais sóbrios do concelho.

 

 

VIEIRA, Leonel - Os Cruzeiros de Santa Margarida, U. Portucalense, 2004

 

 



publicado por José Carlos Silva às 15:11 | link do post | comentar

Segunda-feira, 7 de Março de 2011

«Da primitiva igreja nada se sabe; da actual sabe-se que foi construída nos fins do séc. XVII ou princípios do XVIII.

A sua imagem do Coração de Jesus é a mais antiga de todas que há pelas freguesias vizinhas. Foi lá colocada solenemente em 1873 ou 1874, sendo por essa ocasião pintados e dourados todos os altares.

(…) É um templo simples mas muito elegante e bem conservado, continuador (sem se garantir que seja em “linha recta”) de um outro já citado no ano de 1059, como Igreja de Santa Marina. O actual edifício será dos fins do séc. XVII. (…), viveu longo tempo sem campanário ou torre sineira. Está a igreja paroquial assente no alto de uma aprazível colina, donde “domina o vale que vem desde as alturas de Penafiel fechar nesta curva da montanha.” (M. Pitoresco, II, 358).

MOURA, Augusto Soares de – Lousada Antiga, Edição de Autor, p. 28 e 31, 2009



publicado por José Carlos Silva às 19:18 | link do post | comentar

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