Domingo, 26 de Agosto de 2012

 

 

Arquitectura religiosa, quinhentista e setecentista. Igreja paroquial de planta centralizada, em cruz grega irregular, composta por nave, capela-mor e duas capelas laterais, com sacristias adossadas, com coberturas em masseira de feitura recente, e escassamente iluminada por janelas em capialço, de feitura seiscentista e setecentista. Fachada principal em empena truncada por cruz latina, rasgada por portal quinhentista em arco de volta perfeita. Fachadas rematadas em cornija e pináculos piramidais, a lateral direita com porta de verga recta dintelada, encimada por janelão. Interior com ampla nave, baptistério no lado do Evangelho e púlpito quadrangular no lado oposto. Capelas laterais com acesso por arcos de volta perfeita assentes em pilastras toscanas. Capela-mor com arco triunfal de volta perfeita. Possui retábulos de talha maneirista e o actual retábulo-mor é de talha dourada rococó.  

 Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Igreja de planta centrada em cruz grega irregular, formada pelos com corpos anexos nos braços transversais a N. e S., com campanário adossado no braço transversal S. junto à fachada principal, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas de cantaria de granito aparente em aparelho isódomo ou pseudo-isódomo, rematadas em cornija de chanfro e de gola recta. Actual FACHADA PRINCIPAL virada a S. com corpo de acesso em empena com cruz latina sobre dado no vértice e pináculos piramidais com bola nas extremidades, rasgada por portal de verga recta dintelado, encimado por janela rectilínea em capialço. No anexo, surge uma janela rectilínea em capialço. FACHADA LATERAL ESQUERDA, corresponde à antiga principal, virada a O. e em empena truncada, rematada por cruz latina, e rasgada por portal em arco de volta perfeita, com a moldura formada pelas aduelas. O braço do lado esquerdo tem uma sacristia adossada, com acesso por porta de verga recta. O braço do lado direito tem adossado um campanário com dois registos definidos por cornija, encimada nos extremos por pináculos piramidais com bola, sobre a qual evolui uma pequena plataforma e duas ventanas de volta perfeita, flanqueadas por contrafortes em esbarro e rematadas em cornija coroada por cruz latina ladeada por pináculos piramidais com bola. FACHADA LATERAL DIREITA em empena com cruz latina sobre plinto paralelepipédico no vértice e com pináculos piramidais sobre os cunhais, possuindo um medalhão em bronze e uma inscrição. No lado esquerdo, a sacristia, rasgada por janela jacente em capialço. FACHADA POSTERIOR marcada pelos corpos da capela lateral e da sacristia, sendo visível uma parte da nave com janela em capialço parcialmente obstruída pelo corpo da sacristia, este rasgado por janela jacente, também em capialço. O corpo da capela lateral termina em empena cega, com cruz latina sobre dado no vértice e com pináculos piramidais sobre os cunhais. A face E. possui janela rectilínea em capialço. INTERIOR da actual nave rebocado e pintado de branco, com cobertura em masseira, rebocada e pintada e assente em cornija de madeira, e pavimento em tijoleira. Tem coro-alto de madeira, assente em mísulas de cantaria, com guarda torneada e acesso por escadas de dois lanços no lado da Epístola. A nave separa-se do CRUZEIRO por arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, tendo este paredes, cobertura e pavimento semelhantes ao da nave, No cruzeiro, surge, no lado da Epístola, uma estrutura retabular, dedicada a São Vicente. No lado do Evangelho, desenvolve-se um braço correspondente à nave primitiva, com o portal ladeado por pia de água benta embutido na parede, que forma um pequeno nicho. Possui coro-alto semelhante ao anterior, tendo, no sub-coro, no lado do Evangelho, o baptistério, elevado relativamente ao pavimento da nave por plataforma em cantaria de granito, protegida por grades de madeira torneadas. Possui pia baptismal em cantaria de granito, assente em coluna galbada e com taça hemisférica com bordo boleado e saliente. No lado da Epístola, o antigo púlpito em cantaria, com bacia quadrangular assente em mísula decorada com volutas. No lado da Epístola do cruzeiro, um arco de volta perfeita e arestas boleadas acede à capela lateral da Epístola, dedicada a São Miguel, com cobertura em falsa abóbada de berço abatido, rebocada e pintada de branco. No topo da capela, a estrutura retabular. No centro do cruzeiro, sobre plataforma elevada, em cantaria de granito, ergue-se o altar-mor em cantaria e de feitura recente, ladeado pela cadeira dos celebrantes e o ambão de madeira. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, decorado com pinturas murais, formando cartelas volutadas e envolvidas por acantos, contendo os instrumentos da paixão. CAPELA-MOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, tendo cobertura em masseira, formando caixotões de madeira, com molduras de talha, e pavimento em ladrilho cerâmico. Tem retábulo-mor de talha dourada, com planta recta e três eixos definidos por quatro colunas de fuste liso e o terço inferior marcado, percorrida por ornatos de concheados, assentes em consolas. No exterior, duas pilastras com fuste fitomórfico. Ao centro, ampla tribuna, formando um falso ovalado, pelo prolongamento inferior da moldura criando duas mísulas, com a boca da tribuna rendilhada e o remate ornado por lambrequins. No interior possui o fundo pintado e cobertura em caixotões pintados com elementos fitomórficos e concheados. Nos eixos laterais, surgem mísulas encimadas por elementos decorativos, criando falsos baldaquinos, de onde pendem falsos drapeados pintados na estrutura. Remate em friso e cornija, encimados por estrutura que se adapta à cobertura, ornada por profusão de fragmentos de frontão, fragmentos de cornija, concheados e acantos. Na base dos eixos, portas de acesso à tribuna. Mesa de altar paralelepipédica com o frontal marcado por sebastos e sanefa decorados com concheados, vocabulário que se repete no corpo do frontal. Sobre esta, o sacrário, formando uma estrutura de concheados, enquadrados por volutas e rematado por cornija, tendo a porta decorada por uma custódia. No lado da Epístola, um órgão. SACRISTIA com pequeno arcaz, existindo, na sacristia de menores dimensões, um lavabo, com espaldar de volta perfeita, contendo o nicho do reservatório e uma bica almofadada em losango, que verte para pequena taça rectangular, de bordos boleados; remata em cruz latina.

Acessos

Rua da Igreja. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,262745; long.: -8,282932

Protecção

Inexistente

Grau 2

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, situado num vale, nas imediações do centro da povoação, próximo da rotunda de acesso à mesma. Encontra-se rodeado por algumas casas de habitação e por terrenos de cultivo. Surge implantado numa zona com ligeiro declive, num adro elevado relativamente à via pública, em plataforma artificial, pavimentada a blocos de cimento e envolvida por muros em cantaria de granito aparente, capeados com o mesmo material, com acessos a E. e junto às casas paroquiais. No acesso E., um cruzeiro composto por alto plinto paralelepipédico e cruz latina, de hastes simples. No extremos NE., possui um pequeno canteiro com árvores de médio porte.

Descrição Complementar

Fachada posterior com um medalhão de bronze, a representar a efígie de D. António Augusto de Casteo Meireles, sobre a seguinte inscrição: "D. ANTONIO AUGUSTO DE CASTRO MEIRELES BISPO DO PORTO PRIMEIRO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO 1885-1985". No cruzeiro, uma estrutura retabular, de talha dourada e pintada, de planta recta e um eixo definido por duas colunas com o terço inferior marcado e decorado por motivos fitomórficos e os terços superiores em espiras, encimadas por pequenos pináculos. Ao centro, pequeno nicho contracurvo, ladeado por painéis pintados a representar a Virgem, São José, Santa Isabel e Santa Clara. A estrutura remata em friso intercalado por mísulas equidistantes, e cornija, sobre a qual evolui uma tabela rectangular vertical, ladeada por quarteirões e rematada por friso, cornija e frontão interrompido. A tabela possui a representação de Nossa Senhora da Conceição e é ladeada por elementos de talha vazada. Surge sobre estrutura de madeira pintada e ostenta o banco pintado por acantos. CAPELA LATERAL DA EPÍSTOLA com retábulo de talha em branco, encerada, pintada e com elementos figurativos encarnados, de planta recta e três eixos definidos por quatro pilastras com os fustes decorados por acantos e pontuados por "putti", as interiores prolongando-se numa arquivolta, também ela decorada, e rodeada por apainelados e moldura exterior adaptada à cobertura e de feitura recente. Ao centro, apainelado com mísula gomeada adossada, encimado por estrutura que forma falso baldaquino, contendo a imagem do orago. Nos eixos laterais, painéis pintados, representando São Bento (Evangelho) e Santa Escolástica (Epístola). Predela ornada por apainelados de acantos e f´. Banco de grandes dimensões com apainelados pintados e mesa de altar tronco-piramidal, encimada por estrutura de madeira decorada por almofadados e remate em friso e cornija.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: José Pereira Veloso (1765-1766).

Cronologia

1258 - a igreja é do padroado dos herdeiros de D. Guiomar Mendes de Sousa (filha de Gil Vasques de Soverosa e sua mulher Aldonça Anes da Maia) e do Mosteiro de Santo Tirso, ficando a confirmação do nome do pároco a cargo do bispo do Porto; 1398, 30 Março - integrada no arcediagado de Meinedo; séc. 16 - provável construção do imóvel; 1542 - o Censual da Mitra do Porto refere a igreja como sendo anexa da de Santo Tirso; 1581 - o curato transforma-se em vigararia perpétua, tendo o bispado do Porto protestado contra a situação; 1585 - data em que esta igreja passa da apresentação anual da mitra do Porto à de Amador Ribeiro, vigário do Mosteiro de Santo Tirso, que apresentaria um vigário perpétuo por cuja morte passaria ao estado primordial de ser de apresentação anual do abade de Santo Tirso; séc. 17 - construção da capela anexa e do campanário; provável reforma dos vãos; 1606, 07 Março - a igreja regressa à situação primitiva, formando um curato, com o rendimento de 150$000; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa, a igreja de São Vicente de Goim, antiga Goi, é um curato anexo ao Mosteiro de Santo Tirso e rende ao cura 70$000, rendendo 200$000 aos frades; a povoação tem 58 vizinhos; séc. 18, 2.ª metade - reconstrução da Capela do Senhor dos Desamparados com a pintura do arco de acesso; 1758, 25 Abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco José Vaz de Pinho, é referido que a igreja e residência paroquial se situam junto a quatro casas, entre os montes de São Jorge, a E., e o de Bade, a N.; a igreja tem como orago São Vicente e quatro altares, o mor, com a imagem do orago, o colateral do Evangelho dedicado a Nossa Senhora do Rosário com Irmandade e altar privilegiado, sendo o colateral da Epístola, dedicado ao Santo Nome de Jesus, ladeado pelas imagens de Santo António e São Jorge Mártir; no lado do Evangelho, existe uma capela refeita recentemente, pela devoção dos fregueses, com o Santíssimo Sacramento e dedicada ao Senhor dos Desamparados, com imagem do Crucificado; esta capela é alvo de romaria; a igreja é um curato apresentado pelo abade de Santo tirso, para quem rende 256$000, recebendo o cura o pé de altar, os frutos do passal e 45$000; 1765, 27 Setembro - encomenda do retábulo do Senhor dos Desamparados ao entalhador bracarense José Pereira Veloso; 1766, Agosto - conclusão da estrutura retabular; séc. 19 - provável introdução de estruturas retabulares maneiristas, provenientes do Mosteiro de Santo Tirso; construção da capela lateral da Epístola, actual nave; séc. 20 - alteração da orientação da igreja, com a instalação da capela-mor na antiga capela lateral do Evangelho e colocação da nave na antiga capela da Epístola; construção dos coros; feitura de uma nova mesa de altar; 1985 - colocação de palca comemorativa na antiga fachada posterior.

Características Particulares

Igreja em cruz grega irregular, rara na zona em que se implanta. A estrutura revela a sua antiga construção quinhentista, ainda patente na antiga fachada principal, em arco de volta perfeita com a moldura formada pelas aduelas, e no arco triunfal, com arestas boleadas. Sofreu, no séc. 17, uma profunda transformação, com a construção da capela lateral do Evangelho, profundamente alterada na segunda metade do séc. 18, tendo sido pintado o arco de acesso, com motivos da Paixão de Cristo, e feito um novo retábulo, de estilo rococó, o qual possui uma tribuna formando um falso ovalado, pelo prolongamento dos concheados das molduras nos extremos, bem como profusa decoração de concheados. No final do séc. 18 ou no imediato, uma vez que as Memórias Paroquiais de 1758 não o referem, terá sofrido uma alteração, com a construção de uma nova capela lateral no lado da Epístola, a actual nave e terá ocorrido a introdução de estruturas retabulares maneiristas, provavelmente provenientes do Mosteiro de Santo Tirso a cujo padroado a igreja estava anexa. De destacar a qualidade de talha da Capela de São Miguel e a introdução de elementos na sua base que terão pertencido a uma peça de mobiliário sua contemporânea, com decoração de apainelados almofadados. O séc. 20 terá efectuado alterações de vulto no edifício, com a construção dos coros-altos e transformação da nave e da capela-mor, transposta para a antiga Capela do Senhor dos Desamparados.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; modinaturas, pilastras, arcos, base do púlpito, mísulas dos coros, plataformas, altar-mor, lavabo em cantaria de granito; guardas dos coros, grades do baptistério, portas, cornijas e retábulos de madeira; pavimento em ladrilho cerâmico; coberturas em telha.

Bibliografia

COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza..., Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, tomo I; SILVA, Elsa e CARDOSO, Cristiano, A Igreja de São Vicente de Boim, in Suplemento do Património, ano 11, n.º 79, Lousada, Câmara Municipal de Lousada, Outubro 2010; LEAL, Augusto Pinho, Portugal antigo e moderno: Diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico, Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia; 1873-1890, 12 volumes; LOPES, Eduardo Teixeira, Lousada e as suas freguesias na Idade Média, Lousada, Câmara Municipal de Lousada, 2004.

Documentação Gráfica

 

Documentação Fotográfica

Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Memórias Paroquiais (vol. 7, n.º 32, fl. 955-960)

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: séc. 20 - remoção dos rebocos exteriores; feitura de novas coberturas; restauro dos elementos decorativos.

Observações

M ESTUDO

Autor e Data

Diocese do Porto e Paula Figueiredo (IHRU) 2011 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese do Porto)

Actualização

 



publicado por José Carlos Silva às 20:54 | link do post | comentar

Terça-feira, 21 de Agosto de 2012

Concerto da Banda Musical de São Martinho de Campo,

a cerca de 35 metros de profundidade, foi ponto alto

“Entrelousas” divulgou tradição e cultura

de Valongo

Unir tradição e cultura foi o objectivo do “Entrelousas”,
 evento que animou a freguesia de Campo no passado
sábado. As portas da Empresa de Lousas de Valongo
 abriram-se para acolher um certame que juntou teatro,
música, folclore, petiscos, artesanato e visitas guiadas,
tendo como elemento central a extracção de ardósia,
 uma indústria que caracteriza o concelho.
 
V. Olhar


publicado por José Carlos Silva às 14:10 | link do post | comentar

Domingo, 19 de Agosto de 2012
[Santo Tirso, nascido a 28 de Janeiro do ano 374, morreu há 1758 anos. É um dos santos do século III, mortos pelo 'Emperador Decio', em Apollonia, cidade de Thrafia, actual norte da Turquia. Isto, num período de intensa perseguição a todos o...
s que manifestavam a Fé Católica.

Quando foi julgado e mandado serrar ao meio, Santo Tirso ainda não era cristão, estava a dar os primeiros passos na sua fé. Foi com muita dor e sofrimento que deu a vida por Cristo.

Em relação à naturalidade do Santo, existem três teorias distintas. Aquela que parece ser a mais acertada, de acordo com o Pe. Mário Melo, Pároco da freguesia, é a que vai de encontro aquilo que já foi dito, ou seja, que Santo Tirso é turco. Por outro lado, há quem defenda que é natural da freguesia de Meinedo, o que segundo o Pároco não pode ser verdade porque, para além de não ser possível provar, também é uma teoria que vai contra o facto das relíquias de Santo Tirso terem sido trazidas, por volta do ano 600, da Turquia para Meinedo. Outros há que acreditam que o Santo é natural de Toledo, local onde existe, também, uma imagem.
Diz a história que no século V os Alanos, Vândalos e Suevos invadiram a Península Ibérica, e que no século seguinte os Visigodos ocuparam o território. E coincidência, mesmo por baixo da Igreja Românica de Meinedo, existe, talvez, a mais antiga igreja suevo-visigótica de Portugal. Duzentos anos depois, no século VIII, dão-se as invasões árabes, que influenciam muitos dos aspectos da vida quotidiana da altura, incluindo a religião, pois consigo trouxeram os cultos orientais. É nesta altura que se julga ter começado o culto a Santo Tirso (vindo da Turquia). No entanto, nos séculos XI e XII, os cultos orientais passam para segundo plano.
O curioso é que dos vários sítios onde existe a imagem de Santo Tirso, o único que mantém o culto vivo é a freguesia de Meinedo, sendo também o único lugar que proclama a naturalidade do Santo.

Por baixo da Capela de Santo Tirso, de Meinedo, existe um túmulo que se diz ter sido o local onde ficaram guardadas as suas relíquias. A verdade é que nesta terra, onde o Santo é tido como “Padroeiro dos Males da Cabeça” (talvez por tanto ter sofrido com a morte que teve), a população têm-lhe muito apego, aquilo a que o Pe. Mário chama de “osmose”, uma profunda ligação de intimidade.

A romaria a Santo Tirso de Meinedo tem lugar, anualmente, no 3º. Domingo do mês de Agosto.

 



publicado por José Carlos Silva às 14:32 | link do post | comentar

Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012

São de marfim, cabem na palma da mão e têm pormenores delicados, que surpreendem. António Valera, o arqueólogo que dirige as escavações na Herdade dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, fala com entusiasmo das estatuetas de marfim que ontem apresentou aos jornalistas como "descoberta única" em Portugal.

 

 

Têm o corpo esguio, bem delineado, tatuagens faciais e olhos grandes que poderiam ter incrustações

Têm o corpo esguio, bem delineado, tatuagens faciais e olhos grandes que poderiam ter incrustações (Fotos cedidas pela era)

 

 

Difunde-se muito a ideia de que o homem pré-histórico era rude, um brutamontes, graças ao cinema", diz Valera. "Mas o que povoados como o dos Perdigões mostram, com toda a sua simbiose com o mundo natural, é algo que estas esculturas vêm reforçar - nesta Pré-História havia um grande grau de sofisticação que está muito longe do preconceito."

Com 4500 anos, as 20 esculturas em miniatura (com tamanho entre os 12 e os 15 centímetros), "pelo menos nove das quais muito realistas", começaram a ser encontradas no ano passado, quando os arqueólogos escavavam um fosso onde, depois de cremados, foram depositados vários corpos. Para os investigadores da Era, a empresa que há 15 anos trabalha nos Perdigões, a herdade que a Finagra (actual Esporão S.A.) comprou para plantar vinha, mas que acabou por transformar num campo arqueológico com 16 hectares, encontrar representações humanas de marfim, "com grande qualidade estética e de execução", foi "emocionante", embora não tenha sido uma surpresa completa.

Estatuetas semelhantes são relativamente frequentes na Andaluzia, região com a qual o Sul do país forma uma unidade territorial na Pré-História. Como escavaram apenas uma área muito reduzida deste complexo arqueológico em que descobriram já mais de 500 peças e fragmentos de marfim, entre elas algumas representações de animais muito pormenorizadas, Valera e a sua equipa acreditavam que, mais cedo ou mais tarde, poderiam vir a dar com esculturas antropomórficas. "O que surpreendeu foi o rigor realista de algumas das figuras, que terá exigido grande capacidade técnica", explica.

Para Vítor Gonçalves, catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, especialista em Pré-História, a grande singularidade das estatuetas humanas dos Perdigões é simplesmente o facto de terem sobrevivido milhares de anos às agressões do solo alentejano. "Temos poucas figurações antropomórficas de marfim na Pré-História portuguesa, mas ainda menos no Alentejo, porque lá a terra é tão ácida que destrói tudo", explicou ao PÚBLICO pelo telefone, não tendo visto ainda ao vivo as peças da herdade. A descoberta, que considera "impressionante", é para este arqueólogo mais uma das originalidades dos Perdigões, a juntar ao facto de ser um "complexo mágico-religioso alentejano em que os sepulcros não são antas".

Conhecido desde 1983, o sítio dos Perdigões só começou a ser escavado em 1997, depois de um estudo geofísico, que fez uma espécie de radiografia à paisagem, ter identificado uma série de fossos concêntricos, mais ou menos circulares, e outras estruturas: possíveis cabanas, silos e sepulturas.

O que os trabalhos têm revelado nos últimos anos, explica Valera, é que o povoado, que começou por ser construído por comunidades neolíticas (c.5500 anos), teria grande importância na região, tendo sido, possivelmente, lugar de festas cerimoniais e de rituais associados ao culto dos mortos. O cromeleque perto da necrópole, já fora dos limites do povoado, reforça esta teoria.

"Estas povoações, das antigas sociedades camponesas, eram já capazes de construir obras públicas de envergadura, como estes fossos. Identificámos 12 e fizemos sondagens em quatro. Para fazer estes quatro estimamos que terão sido retiradas 60 mil toneladas de rocha, impressionante para as ferramentas rudimentares da época", diz Valera.

Em seguida, os arqueólogos vão aprofundar os estudos dos materiais nas valas e nas sepulturas com a ajuda de antropólogos da Universidade de Coimbra e fazer sondagens nos fossos para determinar a idade de cada um e a dinâmica de ocupação do povoado. Pelo meio, há que continuar a analisar as "miniesculturas". Para já as perguntas são muitas e as certezas quase nulas. Porque são tão realistas numa altura em que a representação da figura humana é essencialmente estilizada, como prova a maioria das 20 estatuetas? Serão deuses? Porque têm algumas o género tão bem definido e outras são assexuadas?

 

Têm o corpo esguio, com as nádegas e o tronco bem delineados, nariz e orelhas definidas, tatuagens faciais, cabelos a cobrirem as costas, olhos grandes que poderiam ter incrustações e as mãos sobre a barriga, segurando o que parece ser um bastão. "Nesta fase só podemos lançar hipóteses, especular", reconhece Valera. "São todas muito parecidas e o facto de serem realistas faz-nos pensar que podem querer comunicar uma ideia muito específica. A própria postura do corpo pode ter um significado, como quando nos ajoelhamos na igreja. Podem representar um estatuto social, um grupo dentro da comunidade ou até mesmo uma família." Mas também podem ser divindades, teoria que parece mais provável a Vítor Gonçalves, que conhece as estatuetas da Andaluzia. "Muitas das representações humanas neste período, como as das placas de xisto portuguesas, estão ligadas à deusa-mãe. Depois, progressivamente, chegamos a outras de um deus jovem."

Os arqueólogos dos Perdigões vão também estudar o marfim de que são feitas. Dos 500 fragmentos encontrados nos Perdigões analisaram apenas 15 e concluíram que se trata de marfim de elefante africano, o que prova que o povoado mantinha contactos com regiões distantes. Mas entre os restantes pode haver elefante asiático, marfim fóssil (de quando havia elefantes na Península) e até osso de outros animais, explica Valera. Na península de Lisboa, acrescenta Gonçalves, já foram encontrados fragmentos de cachalote.

Muitos dos enigmas das esculturas dos Perdigões vão ficar por decifrar, diz o director das escavações, mas os problemas que elas colocam, associados às práticas funerárias, sobre a concepção do corpo são só por si fascinantes. E se para o homem que viveu no Alentejo pré-histórico o corpo não fosse uma unidade? "É difícil saber o que vai na cabeça das pessoas de há 5000 anos." Mas vale a pena pensar nisso.

 

Público, Por Lucinda Canelas, com Marta Portocarrero



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Novos fósseis descobertos no Quénia provam a diversidade dos primeiros representantes do género Homo, ao qual pertence o Homem moderno, revela um estudo publicado na revista científica britânica "Nature".

foto FRED SPOOR/NATURE/AFP
Homo erectus não estava sozinho
Novos fósseis foram descobertos no Quénia

As novas peças do puzzle - um crânio, um maxilar inferior completo e parte de um segundo maxilar inferior - foram descobertos entre 2007 e 2009 a leste do lago Turkana pelo projeto de investigação Koobi Fora.

Os novos fósseis confirmam, segundo os autores da análise aos fósseis, que coexistiram no continente africano, há cerca de dois milhões de anos, duas espécies distintas do Homo erectus: Homo habilis e Homo rudolfensis.

"É agora claro que duas espécies de Homo viveram ao mesmo tempo que o Homo erectus", afirmou, citado pela agência AFP, o antropólogo Fred Spoor, que dirigiu a análise, acrescentado que os novos fósseis "vão contribuir para clarificar a maneira como a ramificação da evolução humana surgiu e desenvolveu-se há cerca de dois milhões de anos".

 

JN



publicado por José Carlos Silva às 14:30 | link do post | comentar

Quarta-feira, 8 de Agosto de 2012
Fotografia dos objectos de barro cozido que mostram estrias e marcas devido à utilizaçãoFotografia dos objectos de barro cozido que mostram estrias e marcas devido à utilização (DR)

 

Os fósforos como os conhecemos agora são uma invenção do século XIX, mas desde a pré-história que o homem faz fogo. Para isso, os povos utilizavam uma parafernália de utensílios. Uma equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém analisou pequenos objectos de barro com 8000 anos, que antes se pensava serem formas fálicas de culto, e percebeu que serviam como “fósforos” para atear a chama. Estes “fósforos” são os mais antigos até agora encontrados, segundo o artigo publicado na revista PLoS One.

 

A equipa de Naama Goren-Ibar estudou mais de 80 destes objectos descobertos no sítio arqueológico de Sha’ar HaGolan, no Nordeste de Israel, onde há 8000 anos florescia a cultura neolítica Yarmukian. Os objectos estavam no Museu Israelita em Jerusalém classificados como objectos de culto.

Goren-Ibar em visita ao Museu viu naqueles objectos outro propósito. “Veio-me imediatamente à cabeça que estes objectos eram muito parecidos com todos os paus que se usam para fazer ‘fogo por fricção’”, explicou a investigadora, citada pela BBC News. “Temos provas da utilização de fogo feito pelos humanos modernos e pelos Neandertais, devido a [elementos arqueológicos como] madeira queimada, cinzas e lareiras. Mas nunca foi encontrado nada que se relacionasse com a forma de atear o fogo.”

O fogo por fricção pode ser feito com um arco de madeira com um cordão que prende uma broca – um pedaço de madeira cilíndrico. A ponta esférica deste pedaço de madeira ajusta-se a um buraco feito numa placa de madeira que fica no chão. Segurando a broca com uma pedra, pode-se utilizar o arco e a corda para girar a broca e fazer fricção na madeira ateando o fogo.

A equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém tentou perceber se os pequenos paus de barro cozido funcionavam como brocas. Estes paus, que tinham entre três e seis centímetros de comprimento e entre 1,2 e 1,4 centímetros de largura, eram cilíndricos com as pontas arredondadas, em forma de cone ou com uma forma irregular. Muitos estavam partidos, mas alguns permaneceram intactos ao longo de milénios.

A equipa identificou estrias e marcas lineares nas pontas dos paus e relacionou essas marcas com a fricção feita para atear o fogo. Além disso, encontrou partes chamuscadas nos “fósforos” e marcas na parte lateral que poderiam ter sido feitas pelas cordas do arco. “Propomos que estes objectos sejam o registo mais antigo de fósforos – brocas que serviam como componente de um mecanismo avançado para produzir fogo”, sugere o artigo.

Os autores não refutam o aspecto simbólico dos “fósforos”. A nível etnográfico, estas brocas e a placa de madeira “representavam o órgão sexual masculino e feminino”, defende o artigo.

 

Público



publicado por José Carlos Silva às 18:54 | link do post | comentar

Cinema ao ar livre - Igreja de Sousa

A Rota do Românico convida-o para a sétima arte... com sessões de cinema ao ar livre junto dos seus monumentos. Assista ao filme "Elizabeth" na Igreja de Sousa, em Felgueiras. A entrada é gratuita.



publicado por José Carlos Silva às 14:02 | link do post | comentar

Terça-feira, 7 de Agosto de 2012

 

Na segunda página – o primeiro número do jornal de Lousada – continha um longo artigo «Critica Alegre» com um subtítulo «Duas logicas – A mulher científica – Umas perguntas Santo Epifânio – De reserva», assinado por Artur Bivar, diretor deste jornal.

«Dois Voluminhos Preciosos», com os subtítulos «Cartas a um amigo» e «Setas de amor», completam esta 2ª página. Este artigo extravasa para a 3ª página. É assinado por P. Rollin.

Um excerto da novela «A Vida no Campo» cobre por completo a página três, tendo ainda continuidade na página seguinte. Rubrica da autoria de Gervásio Lobato.

Há ainda nesta terceira página um pequeno espaço denominado «Expediente» e uma excelente fotografia do Hospital de Santo António (Porto), oferecendo-nos uma perspetiva espetacular da beleza arquitetónica de que se reveste.

«Manobras Anticlericais» acompanhado de um subtítulo «Na Itália», da lavra do simpático Z, assim era assinada a crónica nesta quarta página. O artigo dominante desenhava-se «A Trouxe – Mouxe», sendo um conjunto de curtas notícias de âmbito nacional, transbordando para a quinta página.

A morte reveste a totalidade da página cinco. «Hintze Ribeiro» é o título que predomina e descreve a vida e morte deste vulto político que Portugal vê desaparecer. Há subtítulos «De uma semana à outra», «Conselheiro Hintze Ribeiro», «No Ideal da República», «Ciência Prática», «Conservação do Azeite», «Autofone» e «Maravilhosa descoberta de Edison». E no fecho da página, publicidade ao livro «Almocreve das Petas», autoria de Spiritus Asper e ainda uma «Refutação das principais calúnias históricas contra a Igreja e os Papas», o 2º volume.

A sexta página é desenhada por dois grandes artigos «Voz do Evangelho» e «Savater», um romance de L.Matericci, na «Versão de Diogenes» e já no capítulo IX, intitulado «O tribunal do rei de Bantan».

Os temas «Proposições Condenadas» e «Voto Heroico e Vocação» são assinados por Pedro Polomuelli, notário da S.I.R.U., e versão de Miriam, respetivamente, ocupam praticamente quase todo o espaço da sétima e penúltima página deste primeiro número do Jornal de Lousada.

O restante espaço é ocupado por três pequenos artigos «Grão de bom senso», «Músicas de enterros» e as «As profecias do Bernardino».

 

Noticias Locais

A oitava e última página é a mais suculenta e saborosa de todas, pois é de todas a que fala de Lousada e também é a derradeira. Fala de Lousada, do concelho, da Vila, das suas gentes, das suas festas, das suas romarias, etc.

 

 

Jornal de Lousada, p. 8, nº 1, agosto de 1907

 



publicado por José Carlos Silva às 12:46 | link do post | comentar

Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012

 

 

 

Noticias Locais

 

A oitava e última página é a mais suculenta e saborosa de todas, pois é de todas a que fala de Lousada e também é a derradeira. Fala de Lousada, do concelho, da Vila, das suas gentes, das suas festas, das suas romarias, etc.

 

«Notícias Locais»: um artigo que transmite uma visão da vivência política, social, económica e da sociedade Lousadense.

Em Agosto de 1907,no seu início, o que ia por Lousada?

 

Em «Noticias Locais» deparamos com a reunião da Camara Municipal. Assim, tinha reunido em «sessão ordinária de 1 de agosto de 1907». Tinham estado presentes os seguintes vereadores: Joaquim Eleutério Ribeiro (que presidiu à reunião por ser o vereador mais velho), António Neto da Silva Freitas, Eduardo Vieira de Mello da Cunha Osório, José Augusto Sousa Pereira e Pedro Machado de Sousa Meirelles. A falta dos restantes vereadores foi devidamente justificada. José Motta foi quem secretariou a reunião.

Os vereadores deliberaram «Agradecer os serviços oferecidos pelo novo governador civil, enviar ao delegado do procurador régio uma certidão da tarifa; conceder 30 dias de licença ao vereador senhor Manuel Joaquim Teixeira, ficar inteirada da aprovação do orçamento 1º suplementar e autorizar o pagamento dos empréstimos municipais nesse orçamento atendidos, aprovar o balanço do cofre, relativo à última semana, autorizar o vereador senhor Eduardo Osório a vender, em hasta pública, a pedra que sobrou das obras em execução na povoação da Senhora Aparecida, autorizar o pagamento das despesas feitas com tais obras e requisitar a respetiva importância da Caixa Geral de Depósitos, nomear uma comissão para elaborar o projeto das posturas relativas «ao consumo e extração das públicas da vila, e comunicar ao inspetor escolar que já existe casa e mobília para a escola que se pediu para a freguesia de Caíde.»



publicado por José Carlos Silva às 14:51 | link do post | comentar

 

 

Na terra que me viu nascer e onde me fiz gente, este fim-de-semana marca-se por um acontecimento que povoa o imaginário de todos que aí despertaram para o sonho da vida, aprenderam a trilhar os caminhos do sonho e brincaram aos índios, aos cobóis, aos ladrões e nos dias de menos calor sentaram-se nos penedos que sobrepuja a secular e bela capela de Nossa Senhora Santana.

Não havia residente de Romariz – mesmo de Meinedo e arredores – que não desejasse o primeiro fim-de-semana de Agosto, pois era o momento em que se festejaria a romaria em honra de Santa Ana.

Desde sempre uma romaria singela. Durante anos e anos sem noitada no sábado. Este dia era reservado à deambulação dos tamborileiros por todo o território da freguesia, lugar a lugar, rua a rua, casa a casa, numa festiva e esplendorosa alegria, vergada a uma simplicidade de sorrisos num emaranhado de gestos e num bailado de rostos que de mãos estendidas solicitavam uma oferta para Santa Ana (dinheiro ou géneros). Géneros? Pois obviamente, adornariam as prateleiras do bazar que todos os anos se erguia a poucos metros da capela e cuja liquidez, resultante do leilão, reverteria para a receita que pagaria as despesas do fausto evento.

O sábado servia, igualmente, para alindar Romariz com bandeiras e afeiçoar acessos, aprimorando o monte e toda a envolvência à Senhora da Pedra. E existia um pormenor importantíssimo, desde o alvorecer do primeiro dia do fim-de-semana escutava-se uma instalação sonora emitindo música da atualidade, os sucessos do momento. Após o almoço, assistia-se a um corre-corre e a uma espécie de discos despedidos improvisados. O homem de altifalantes obedece a um ritual «imposto» pela Comissão de Festas e vai acedendo aos sucessivos pedidos de quem pede esta ou aquela canção. As mais pungentes eram, sem dúvida, aquelas que pintavam a saudade dos filhos a lutar em África pela Pátria amada.

O domingo de manhã sonhava-se no coração da vida das pessoas: cumpria-se uma das frações da parte religiosa – a missa com sermão solene. O padre Meireles tinha o condão de no sermão fazer chorar as pedras e era norma ver correr pelas faces uma onda mais revolta ou uma gota de chuva mais teimosa.

No fim da missa solene os peregrinos davam-se às compras. A regueifa, os doces, a fruta, uns brinquedos e o almoço que o cabrito assado no forno e a família estavam à espera.

À sombra das ramadas dispunham-se as mesas, bancos corridos e colocavam-se toalhas, pratos, copos e talheres. As canecas de vinho só na hora é que iam para a mesa, pois os garrafões descansavam na velha mina onde a frescura superava o mais sofisticado frigorifico.

Depois instalava-se a alegria e a óbvia confusão.

A meio da tarde rumava-se novamente à Senhora Santa Ana. A Procissão fechava o momento religioso. Saía da capela, saudava o oitocentista cruzeiro e persistia na caminhada por mais de um quilómetro, aí circundava um tosco cruzeiro, profusamente florido, recolhendo a casa.

Depois escutava-se com deleite a banda de música. Este momento era imperdível. O silêncio pontuava e não existia músicos que não tivessem saudades de virem a Santa Ana.

A derradeira surpresa consistia num doce apetecido pela generalidade. Alma alguma arredava pé. Todos esperavam o desenlace dos lances do leilão das prendas do bazar. E algumas eram licitadas com fervor e galhardia. Havia quem as oferecesse e fizesse questão de as voltar a ter em casa, assim como havia quem fizesse perrice de as ter, precisamente, por essa razão. Daí a beleza em presenciar o evento.

O fogo-de-artifício marcava o fim da festa.

Nos anos mais recentes o figurino da festa alterou-se. Noitada na sexta, no sábado e no domingo. Artistas a atuar. Outros tempos.

Este fim-de-semana é tempo de Santa Ana.



publicado por José Carlos Silva às 13:15 | link do post | comentar

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