Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
 
 

Hospital da Misericórdia

 

 

Não existe documento que ateste, com certeza absoluta, dia e ano de fundação da Irmandade da Misericórdia de Penafiel (ou de Arrifana de Sousa como até à elevação a cidade, em 1770, se chamava). Certo é que desde Abril de 1649 se afirma que o ano de fundação da Irmandade foi 1509, ainda no reinado de D. Manuel I.

Só em 1614 a Misericórdia de Penafiel obtém do rei a concessão de Compromisso (também chamado estatuto), forma de normativa que regula o modo de funcionamento da instituição, seus direitos e obrigações; bem como régia proteção (ser "imediatos ao poder real", como se afirma na documentação da Santa Casa), a exemplo do que acontecia com as demais Misericórdias portuguesas.

Notícia segura é que, pelo menos desde 1596/97, a Misericórdia de Arrifana procurava aprovação real e os privilégios das outras Santas Casas, contando no entanto com a firme oposição da Misericórdia do Porto. Pretendia esta ser, no espaço do seu termo, a única Irmandade de Misericórdia com aprovação da coroa, para assim usufruir sozinha de todos os privilégios das Misericórdias aprovadas.

A primeira sede da Irmandade foi uma capela frente à igreja matriz de Arrifana, em cujas traseiras funcionava o primitivo Hospital da Misericórdia, misto de espaço de assistência na saúde e acolhimento de viajantes e peregrinos. Aí se manteve até ao fim das ordens religiosas, quando o antigo convento dos franciscanos capuchos foi entregue à Misericórdia para nele instalar o hospital.

Apesar disso, com o crescimento da irmandade e com a sua aprovação régia (que lhe conferia novo estatuto institucional) a Misericórdia tem a oportunidade de ter novo templo quando o irmão Amaro Moreira, abade da S. Vicente de Ermêlo, propõe-se a contratar com a Santa Casa a construção de uma igreja para a Misericórdia no rocio das chãs, da qual ele pagaria a capela-mor, que seria sua sepultura e dos seus parentes.

Ao longo do séc. XVII e XVIII vai-se construir e solidificar a fortuna da instituição. Para além das doações que poderia receber, foi através dos legados de alma que a Misericórdia constituiu um património muito significativo.

A assistência na saúde será uma das ocupações principais da Misericórdia de Penafiel. Durante muito tempo custeará os tratamentos médicos no seu hospital ou nas casas dos pobres que constavam de uma lista (o "rol" dos pobres da Santa Casa). A partir de 1745 decide-se contratar serviços médicos para os doentes sob regime de avença ("médico do partido"). Também no séc. XVIII, e aproveitando um legado de 500 mil reis de José Moreira Leal para curar os enfermos da Santa Casa, fundou-se uma botica (farmácia) para fornecer o hospital da Santa Casa, os pobres da sua lista e pessoas externas (estes com a obrigação de pagarem os remédios), tendo como base uma decisão da Mesa, de sete de Maio de 1769. É a origem da farmácia que ainda hoje subsiste.

Em 1772 o rei D. José, no seguimento da criação, em 1770, da diocese de Penafiel, aponta a Igreja da Misericórdia para catedral, dando-lhe por invocação de S. José e Santa Maria. Nessa categoria se manteve até que em 1778, morto o rei, o Papa suprime a diocese que reintegra no Porto. A igreja volta a ser apenas a igreja da Misericórdia, sem que nestes anos o bispo D. Fr. Inácio de São Caetano sequer a tenha visitado.

 

No final do séc. XIX, e porque o hospital instalado no que restava no convento dos capuchos se revelava pouco adequado aos novos tempos, decidiu-se a construção de um novo edifício, inaugurado em 1894, e que a Santa Casa ficou a dever ao empenho dos provedores José Maria Pinto Monteiro e Laurentino da Rocha Nunes.

Já antes tinham sido, e graças à generosidade de António José Leal, inauguradas uma enfermaria para inválidos (em 1876) e um asilo para raparigas pobres (em 1893).

Nas primeiras décadas do séc. XX não se registam na história da Santa Casa grandes alterações de vulto, nem mesmo com o advento da república ou o regime de Salazar. Seria preciso esperar por 1975 para, no seguimento da revolução de Abril, o hospital da Santa Casa da Misericórdia ser nacionalizado, integrando a rede nacional de saúde. Era a primeira vez, desde que a memória da Casa subsiste, que a Misericórdia de Penafiel não tem sob o seu controlo qualquer valência de assistência na saúde. Só em 2002 o centenário hospital da Misericórdia é devolvido à Irmandade que o fez nascer.

Outras valências foram entretanto surgindo do esforço das administrações da Santa Casa, sobretudo na década de 1980 e nos primeiros anos do séc. XXI. Dois lares (Sto. António e S. Martinho) e uma Casa de Repouso (D. Manuel I), valências destinadas à terceira idade, como também o são o apoio domiciliário (dividido em normal, qualificado e integrado), o centro de dia e o centro de convívio. Para a infância foram criados a creche e jardim de infância O capuchinho, na cidade de Penafiel, e o jardim de infância Américo Soares e o ATL D. Maria Leal (casal de beneméritos que possibilitou a sua criação), em Rio Mau. Uma albergaria mantém viva a tradição de albergar os viajantes de passagem, enquanto um moderno salão polivalente veio dotar a instituição de condições para organização de eventos próprios.

(Texto retirado de http://misericordiapenafiel.pt/Default.aspx)

Roberto Bessa Moreira



publicado por José Carlos Silva às 20:09 | link do post | comentar

mais sobre mim
Agosto 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31



contador visitas en mi web
posts recentes

A festa em honra de Sant’...

Lousada Antiga

As capelas

Padre Joaquim António de ...

Feliz de Mendonça Baldaia...

Dote de casamento do Dr. ...

Casa D' Além-Romariz (Mei...

Casa D’ Além ou de Romari...

A coisa que mais me dói, ...

Doutor Joaquim Augusto da...

arquivos

Agosto 2015

Março 2015

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

tags

1910

a igreja de são vicente de boim

a igreja _alvarenga

a paróquia de boim: breve enquadramento

adcl_lodares_lousada

adeus

alferes

almotacé

alvarenga

alvarenga_lousada

anthero pacheco da silva moreira

antónio

anúncio

aparecida

artesanato

artigos

aveleda

bibliografia

boa noite

boim

boim_lousada

caíde

caíde_lousada

calvário

caminho _de_ ferro_ de_ penafiel _á_ lix

caminho_de_ferro

capela

capela da fonte - boim

capelas

capelas_ públicas_lousada

capelas_de_lousada

capitão

capitão_mor

cargos e profissões dos proprietários de

carta

casa

casa da bouça (nogueira)

casa da lama

casa da quintã

casa de monte sines

casa de sequeiros

casa de sequeiros - lodares

casa _ vilar_lodares_lousada

casamento - joaquim da silva netto com d

casa_da_lama_lodares_lousada

casa_de_real_ficha

casa_do_vilar

casa_vila _verde

collegio_de_bairros

concelho

couto

covas

cristelos

crónicas

cruzeios_lousada

cruzeiros

cruzeiros_lousada

da

de

despedidas

desporto

do

donativo

eleição

eleição_ abdicação

em 1907.

enlace

escola

festa

figueiras

i congresso internacional da rota do rom

igreja paroquial de cristelos / igreja d

igreja paroquial de figueiras / igreja d

igreja: stº estevão de barrosas

iii jornadas de história local

lodares

lodares_lousada

lousada

meinedo

memória

memória_paroquial

moinho

moinhos

nespereira

nevogilde

nogueira

nossa

padre

paisagem_edificada_lousada

política

ponte _de_ vilela

ponte_espindo

porto

quaresma

reverendo

romaria

rota_românico

senhora

títulos

universidade de coimbra

todas as tags

links
subscrever feeds