Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Lousada é terra de rara beleza, já que ao longo dos séculos, tem sido cantada, amada, venerada pela pena de ilustres e insignes Lousadenses. E até forasteiros se curvaram às suas belezas e lhe teceram os mais nobres e belos elogios.

Lousada encanta e deslumbra ainda mais pela suavidade, pela elegância e pelo equilíbrio com que se enquadra neste hino monumental que é todo o onírico vale de Sousa. É que Lousada é um encanto e a todos enleva e a muitos cativa e faz sonhar. Há qualquer coisa de superior, de especial, de quimérico, de diferente neste ar suave que aqui se respira, nesta terra de gente boa, que saúda o transeunte.

Nos anos cinquenta os campos eram férteis, ainda taramelavam alegremente as noras em tardes calmas de estio, mas pelos barrancos dos montes chiavam ainda os eixos fixos do carro ancestral. E do alto da capela do Senhor dos aflitos, vê-se a nossos pés, a vetusta vila de Lousada, recortada suavemente e parece viver ainda em sonho.

Há cinquenta anos era uma estância de repouso. Actualmente Lousada continua a ser terra de rara beleza, apesar dos vários “atentados” que a sua paisagem e o seu património sofrem em cada dia que passa. Mas, em 1949, “Zinid” escrevia o concelho de “Lousada é um dos mais ridentes, e que mais belezas naturais encerra, das que fazem parte do distrito chefiado pela cidade do Porto”. 1

Ampla concha rústica, que as águas do rio Sousa fertilizam, é terra recatada e muito laboriosa.

É uma terra plena de raízes culturais e históricas, implantadas no seu todo; terra riquíssima de tradições e história; de belas e imensas paisagens, terra de lindas igrejas, capelas, monumentos, etc.

E numa visão actual, Augusto Magalhães, um cronista do T.V.S., refere que é natural que “os Lousadenses não dêem conta ou se alheiem do que belo e pitoresco existe da frescura das terras de semeadura e vinhedos e numa ou noutra com casas solarengas a suscitar o apreço histórico de que se desvanece de tais relíquias. As penas e paletas de quem mais sabe poderão descrever e pintar paisagens em matizados recortes do centro do Vale de Sousa, que é por graça e nosso proveito, este concelho. Não faltarão motivos, desde da simplicidade do seu povo, do seu génio e bairrismo, do seu culto pela beleza e harmonia e paixão pelo que distrai e diverte. É que temos capelas e cruzeiros, igrejas e alminhas,..., um Pelourinho,... Resquícios de outras eras e de tempos severos. Lousada, é um concelho laborioso e festeiro,..., e a miscelânea do passado e do presente serão o ramalhete a oferecer (a quem visitar Lousada) constatando a riqueza da nossa modéstia,..., mas com vontade férrea de vingar”.2

Contudo, ainda hoje, é um concelho muito carenciado na sua quase totalidade e é olhado como um parente pobre do distrito do Porto.

Lousada é assim um misto de dor e amor, de beleza e sedução, de património secular e de uma paisagem bela e contida. Encerra em si uma alma humana que supera de longe as falhas e os atentados, fruto deste progresso desumano e atroz.

Lousada é coisa bela, terra prendada, terra de rara e infinita beleza. Lousada. – A Bela!

 

Caracterização do concelho de Lousada.

 

Vila, sede de concelho rural de 2ª ordem, pertencente à diocese e distrito do Porto. Antes da década de 80 era um concelho da 3ª ordem, fiscal de 3ª classe, julgado municipal da comarca de Penafiel, diocese e distrito do Porto que tem a sua sede na freguesia de S, Miguel de Silvares.

Em 1951, Lousada era um concelho de 2ª ordem e fiscal de 3ª classe, comarca de Felgueiras, distrito e bispado do Porto.

Em 1909 era “villa da província do Douro, séde de concelho e de comarca, distrito, relação e bispado do Porto. A freguezia é de S.Miguel de Silvares e Cristelos. Pertence à 6ª divisão militar, 11ª brigada, grande circunscripção militar do norte, e ao distrito de recrutamento e reserva nº 20, com séde em Amarante. Em 1757 Lousada (o concelho) tinha 2700 fogos”.3 E tinha em 1758, 18 freguesias e S. Miguel de Silvares era a cabeça do concelho, é que no lugar do Torrão estava a casa do Auditório onde se faziam as audiências duas vezes por semana.

Já em 1854, Lousada era sede da comarca, reunindo o território dos concelhos de Lousada, Felgueiras e Barrosas, dignidade obtida em 1840 à custa da extinção do concelho de Barrosas.

No século XVI, Lousada – concelho e terra – era vista desta forma: “Este concelho e terra de Loussada he do Conde do Vymyoso nom tem vylla nem castelo nem povoação junta nhua jaz antre o concelho de Unham e o termo do Porto e tem de termo de larguo e de comprido legoa e quarte...”.4

A terra de Lousada era de área inferior à que o actual concelho hoje ocupa. No início da Segunda metade do século XIV o julgado de Lousada pertencia à coroa, que ali tinha duas justiças.

Todas as paróquias que fazem parte do concelho de Lousada pertencem eclesiasticamente à diocese do Porto. Mas nem sempre assim foi: durante um milénio 16 delas fizeram parte do Arcebispado de Braga. Só a 4 de Setembro de 1882 foram restituídas à diocese do Porto.

O concelho tem uma área de 97,84 Km.2, distribuídos por 26 freguesias: Alvarenga, Aveleda, Barrosas (St.ª Eulália e Stº Estevão), Boim, Caíde de Rei, Casais, Cernadelo, Covas, Cristelos, Figueiras, Lodares, Lousada (St.ª Margarida, S. Miguel), Lustosa, Macieira, Meinedo, Nespereira, Nevogilde, Nogueira, Ordem, Pias, Silvares, Sousela, Torno, Vilar e Alentém e Vilar do Torno.

Em 1948 tinha 22.193 habitantes em 5110 fogos, dos quais 1336 habitantes em 283 fogos, correspondem à freguesia da sede do concelho. Dista 38Km. do Porto. Pelos censos de 1981 tinha 37.900 habitantes. Em 1989 tinha 40.000 habitantes. Em 1931 tinha 21.096habitantes, em 1991 pouco mais de 42 mil e em 2001 já se situava nos 44712 habitantes.

Na transição do litoral para o interior e no centro do vale de Sousa, vamos encontrar o concelho de Lousada. Sem fronteiras definidas por acidentes geográficos dignos de nota,... confina a norte com os concelhos de Felgueiras e Guimarães, a sul com Paredes e Penafiel, a nascente com Amarante e a poente com Paços de Ferreira. Tem 200Km.2 de superfície. É de facto e de direito, o coração do vale de Sousa por se encontrar situada no seu centro geográfico.

“O concelho corresponde, na sua quase totalidade, a uma circunscrição administrativa medieva situada na bacia do Sousa superior. Na passagem do século XI para o séc. XII menciona-se aqui uma série de acontecimentos e factos que lhe autorgam uma notável celebridade já antes da própria Fundação da Nacionalidade, com particular incidência para Meinedo, primitiva sede do bispado do Porto. Algumas das suas freguesias passavam a pertencer-lhe em virtude das reformas administrativas de 1834 e 1885, como no caso de Vilar do Torno, Alentém e Caíde de Rei, que andaram distribuídas pelos extintos concelhos de Unhão e Santa Cruz de Riba Tâmega antes de lhe serem incorporadas”.5

Há em todo o Douro Litoral sinais evidentes de primitivos núcleos de fixação do Homem pré-histórico e outros, que estão inclusivamente na origem da Fundação de Portugal (Castro de S. Domingos - Cristelos).

Partes da história de Portugal podem ler-se nos túmulos de guerreiros (Casais - Meinedo) e nos vários monumentos dispersos pelo concelho tais como o cruzeiro do séc. XVII (Pias), rico em solares e casas apalaçadas (Alentém, Cimo de Vila, Lama, Vila Verde, etc.); Várias igrejas românicas e do séc. XIII (Meinedo, Aveleda), as pontes românicas de Vilela, Espindoe da Veiga.

É um concelho de fortes raízes culturais e históricas, bem implantadas.

Lousada é também um concelho com enorme riqueza cultural e etnográfica que atinge na cultura a sua máxima expressão. Resultado de múltiplas e facetadas influências que aqui se cruzaram e de um profundo enraizamento na paisagem, na terra e também no ameno clima.

“Aqui um solar seiscentista, prepialho à fiada em junta sêca, severo e modesto como eram os de então, além, construções apalaçadas em baraque do granito enfumado e grandioso, depois, casas boas de gente abastada, com aladas variadas de diferentes épocas, ostentando a típica cozinha, tão regional, tão Lousadense, toda em pedra bem ameada como torre para defesa contra incêndios; mais adiante, o casão vitoriano, rico em varandas ou janelas sob clássico frontão e ao lado a inseparável capela,..., topam-se ainda muitos portões de brasão e pedras - meias, tudo intercalado de colmo ou telha vã...”.6 E a beleza de algumas casas é tal e estão tão bem enquadradas na paisagem que deixam praticamente de poder ser propriedade particular, de tal forma atraem quem as conheça. Lousada é terra linda e de beleza sem igual.

Por ser uma região agrícola fértil, é “cobiçada” pela ânsia de Autarcas e empresários no redimensionamento organizado dos vectores da Indústria e Comércio.

Sede da Associação de Municípios de Vale de Sousa está “envelhecido” em relação a outros concelhos limítrofes que têm sabido aproveitar as infra - estruturas emanadas das novas vias de comunicação, inexistentes para um fácil e rápido acesso.

Tem a nível nacional e Europeu, a população mais jovem e é o segundo concelho com um índice populacional mais elevado, tendo em conta o último recenseamento nacional. Tem pouco mais de 42.000 habitantes.7       

 

Etimologia.

 

Lousada deriva de lousa, radical a que o sufixo ada acrescenta a ideia de quantidade, repetição ou aglomeração do objecto significado como se observa em tantas outras palavras portuguesas: malhada, barricada,..., e em nomes de povoações: Arada = terra lavrada, etc.

“Louzada” significa pedreira ou terra onde há lousas. E efectivamente as lousas lá se vêem no sítio e imediações do citado “logarejo da freguezia” de Santa Margarida.

Há quem também se incline para o facto de o nome de Lousada derivar do facto destes lugares terem sido dados a algum dos Lousadas que vieram de Espanha tomar parte na batalha do Toro ao lado de D. Afonso V, ou porque algum deles aqui viveu.

É do conhecimento histórico que João Lousada de Ledesma, veio da Galiza com os seus irmãos e estiveram os três na referida batalha. Recebeu-se com senhorinha do Rego Borges, filha de Afonso de Mansilha, fidalgo Galego, e de sua mulher Catarina Rodrigues Borges de quem teve geração que continuou o apelido de Lousada.

As armas dos Lousadas:

Bandeira: – esquartelada de amarelo e de púrpura cordões e borlas de ouro e de púrpura. Haste e lança douradas.

Selo: – circular tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes em volta de círculos concêntricos, os dizeres: (Câmara Municipal de Lousada).

 

A Origem Histórica de Lousada.

 

 Lousada foi terra de Sousões e também dos Gascos, dos Vasques (Vecques) e dos Viegas, barões ilustres a quem muito devemos a criação, o alargamento e a afirmação da nacionalidade portuguesa.

Toda a terra do vale de Sousa, foi parte integrante das terras de Ribadouro, cujos barões, estiveram presentes em actos valorosos da batalha de S. Mamede, no dizer de Alexandre Herculano.

O julgado de Lousada era pertença da coroa e várias vezes por ela foi doada a fidalgos da primeira grandeza do Reino, o que mostra a sua importância e estima em que era tido.

Esteve intimamente ligada A Egas Moniz, cujos domínios se estendiam para lá do rio Douro, a Cinfães e a Resende; a D. Martins Gil de Sousa, conde de Barcelos; e a outros fidalgos, tais como: D. Rodrigo Forjaz; D. Martim Leitão; D. Rodrigo Pires Alto; D. Chamoua Mendes; D. Urraca Martins; D. Elvira Vasques,...

Estes fidalgos, assim como o Clero, possuíam então, grande parte das terras de Lousada e algumas vezes resolviam alargar os seus direitos em detrimento da coroa. Daí a imposição de Inquisições por parte desta, sendo mais conhecidas as afonsinas (1258) e as de D. Dinis em 1307.

A 20 de Março de 1372, D. Fernando fez conde de Barcelos, D. Afonso Teles Meneses e deu-lhe o senhorio de Lousada.

Voltou entretanto à coroa a terra de Lousada no reinado de D. João I que fez dela doação “com todas as suas rendas, direitos, foros, tributos, direituras, senhorias e pertenças, ao condestável Nuno Álvares Pereira e este deu-a à sua neta D. Isabel que por sua vez a cedeu ao irmão D. Fernando, duque de Bragança.

No reinado de D. João II, com a confiscação da casa de Bragança, o monarca doou Lousada a Fernão de Sousa, fidalgo do seu conselho.

D. Francisco de Portugal, 1º conde de Vimioso, comprou estas terras no reinado de D. Manuel I. Este mesmo rei haveria de dar foral de vila de Lousada, no dia 17 de Janeiro de 1514”.8

 

 

 

Os Miradouros Naturais de Lousada

         

 Lousada é terra prendada. Duma beleza que deslumbra e encanta ainda mais pelo equilíbrio com que se enquadra na paisagem da Região, normalmente conhecida pelo Vale do Sousa. Quem o queira comprovar, quedando-se no tempo e na paz de uma paisagem natural envolvente, pode ir ao Miradouro da Senhora da Aparecida.

Também da serra de Barrosas a vista é abrangente e deslumbrante. Estas serras de Barrosas, são hoje o que resta de um particular micro – clima, viveiro para uma vegetação única na Região, atravessada pelo rio Sousa e seus afluentes, dos quais sobressai o Mesio.

Serra e água. Caça e pescas abundantes.

Lousada é terra de belas e imensas paisagens e dos seus miradouros naturais vislumbram-se belas, melancólicas e sonolentas paisagens. Miradouros – Alto do Fogo (Sra. de Aparecida), capela do Loreto (Cristelos), capela da Sra. do Amparo (Covas), etc.

Do Alto do Fogo, o cabeço que domina a povoação (Aparecida), os olhos chegam a vislumbrar os píncaros do Gerês!

Pode dizer-se que Lousada nasceu, cresceu e conserva reais condições de beleza naturais, únicas e invejáveis que qualquer mortal anseia admirar e sentir. Os seus vales verdejantes são autênticos bacanais de verde em algumas épocas do ano, com cenários espectaculares que se usufruem e admiram em toda a sua plenitude do cimo dos seus muitos miradouros. E os seus rios Sousa e Mesio dão-nos belíssimas paletas verdejantes onde pousam os nossos olhos, dando uma impressão de frescura e claridade, e esta sensação é amplificada ainda pelos montes e jardins que enfeitam e embelezam os campos e os espaços urbanizados.

                       

          

A Vila

 

É a sede do concelho. É uma típica Vila do interior, situada num vale do rio Sousa; na zona de transição entre o Minho e a região do Douro. Está constituída pelas zonas urbanas das freguesias de Cristelos e Silvares. Está situada próximo da margem direita do Alto Sousa, na transição do litoral para o interior.

Fica 5 Km a norte da estação (apeadeiro) do caminho-de-ferro de Meinedo. “Modesta vila de 1385 habitantes, situada a uns 300 m. de altitude, no brando pendor do vale superior do rio Sousa.

É uma Vila pacatíssima e familiar, com o seu casario branco e disperso, tem, ao centro um jardinzinho sobranceiro, sobre o qual assenta a moderna igreja paroquial capela do Sr. Dos Aflitos, a igreja paroquial é em Mós. Daí se abrangem os rústicos arredores. O edifício dos Paços do concelho não podia ser mais singelo. Um pouco além está o Largo da Feira. Aí se concentram duas vezes por mês os produtos da lavoura, relativamente farta, das cercanias (as frutas, os cereais, os legumes, etc.) e a dois passos, num recanto privativo, a exposição tradicional e transaccional do gado.”9

Na década de 50 era uma Vila suavemente recortada, parecendo viver em sonho, e era também uma estância de repouso.

No dizer de Pinho Leal, a vila era muito aprazível e tinha bons edifícios e de construção moderna.

Mas era acima de tudo uma Vila encantadora a transbordar de frescura e graça, que atraía e espevitava simpatia.

É (e era) uma Vila com carácter próprio, quer como povoado do tempo áureo das naus, quer como urbe florescente dos “nossos dias”.

É nesta vila situada nas ridentes veigas do vale de Sousa que estão as majestosas, opulentas e belas casas de nobres estirpes, que aqui se fixaram ao longo dos séculos, através dos mais variados casamentos de família.

É comarca desde 1840 e desde daí tem aumentado progressivamente em melhoramentos materiais; Tem na principal artéria uma capela, onde se executam os ritos religiosos, outra maior numa extremidade, “e esta em vésperas de Ter no seu centro um bom templo, que a devoção dos fiéis dedica ao Sr. Dos Aflitos e a que serve de núcleo numa pequena ermida.”10

Actualmente, Lousada é uma Vila típica do Norte de Portugal, com o seu núcleo central anichado aos pés do templo do Sr. Dos Aflitos, este sobre uma pequena colina que lhe alarga a área de protecção, e em que, disseminadas pelo velho casario, se vão misturando novas construções, felizmente e ainda quase sempre num programa que não ofende o bom gosto porque contido e ordenado.

Um dos seus encantos é uma sábia mistura do passado e do presente. Olhe-se as paredes sólidas, as varandas rendilhadas, etc.

                       

 

Monumentos – O concelho é riquíssimo em património, património este nas suas diferentes vertentes. É rico e muito diversificado o património Lousadense – cruzeiros, alminhas, igrejas, fontanários, portões em ferro forjado que fecham o caminho para os solares do séc. XVII – XVIII, etc., e capelas, um pelourinho, assim como exemplares dignos e incluídos na rota do românico. É pródigo em solares e casas apalaçadas, quase todas as suas freguesias têm um/a ou mais que um/a. Tem sobre o rio Sousa, em três pontos distintos, três pontes românicas: Veiga, Vilela e Espindo.

O pelourinho é um monumento Nacional.11 Era o símbolo da autoridade organizada e com poderes para aplicar parte das justiças.

O pelourinho de Lousada é uma veneranda e vetusta coluna erguida e aprumada num tabuleiro relvado, nas traseiras dos Paços do concelho. É um torcicolado símbolo arquitectónico. Conta e representa a secular história do concelho, da força vital do seu povo, da sua vigorosa autonomia. Também é um símbolo, de magna jurisdição, bem cobiçado na idade média por donatários, bispos, mosteiros e cidades.

 

O Pelourinho de Lousada.

 

Trata-se de uma bela e preciosa relíquia histórica e que muitas vilas destruíram e actualmente gostariam de certeza absoluta possuir.

Lousada possui um e por ele tem orgulho.

Da plataforma sai uma coluna salamonica de granito de forte enrolamento, bem vincado, os torsos assentes: o desbaste menos regular deu à coluna a forma gal (na) da, o fuste vai terminar o torcido num remate cilíndrico do capitel simples. Em cima assenta o remate (tronco piramidal), de secção quadrada, invertido com uma das molduras trabalhadas. Nos centros da face superior vêem-se as calhas dos ferros, que suportaram as correntes das argolas.

- Igrejas românicas – séc. XII – Aveleda e séc. XIII – Meinedo.12

- Foral – Lousada teve-o a 17 de Janeiro de 1514, pela mão do rei D. Manuel, já que aproximava-se a hora de Lousada deixar de Ter senhores e alcançar a sua carta de alforria. Essa hora chega ainda no reinado de D. Manuel que lhe deu foral no ano de 1514.

           

Curiosidades de Lousada – Em 1991, como em todos os anteriores anos, as Festas Grandes e os seus preparativos, apaixonaram muitos Lousadenses. Foi sempre assim, ainda hoje é assim. Desde de 1892 – data da construção da capela do Sr. Dos Aflitos – que é tradicional que estas “Festas Grandes” aconteçam anualmente.

Mas se as Festas e Romarias são expoentes máximos do concelho de Lousada, a gastronomia é também ponto alto. Assim, são muitos os pratos típicos (basulaque, o arroz do forno e o cabrito assado, o cozido à portuguesa) confeccionados, quer nos lares Lousadenses, quer nos inúmeros restaurantes de Lousada.

Para “adoçar o bico”, Lousada tem para oferecer bolinhos de amor, Pão-de-ló, etc. E pode-se ainda deliciar com um delicioso melão de “casca de carvalho”.

Belos miradouros tem Lousada e de onde se podem avistar as imensas e bucólicas paisagens do vale do Mesio e do Sousa. O Alto do Fogo (Aparecida), a capela do Loreto (Cristelos), a capela do Sr. Dos Aflitos (Silvares), a capela da Sra. do Amparo (Covas), são locais eleitos para vislumbrar as belezas desta terra linda e prendada.

É bom saber que os Condes de Barcelos - senhores de Lousada - tiveram solar na terra de Lousada. E que a palavra Lousada já se escreveu “Louzada”, assim como o Pelourinho já se ergueu à frente da Câmara de Lousada e hoje se encontra na sua rectaguarda. Também é verdade que o seu Feriado Municipal, oficialmente, tem data marcada para 13 de Maio, mas que oficiosamente acontece na Segunda-feira das Festas Grandes do concelho, que se realizam no último fim-de-semana do mês de Julho.

É um povo de profunda religiosidade que se manifesta em múltiplas romarias, nomeadamente a do Sr. Dos Aflitos.

E terminaria estas curiosidades em festa. É que hoje, como ontem, “ao dealbar rutilante deste vigésimo quarto dia, do mês de Julho de 1948 – faiscarem por detrás das cumieiras agudas do Marão, os primeiros laivos argenteos deste sol creador, que há-de sazonar as searas e transformar em pão o “humus” sagrado dêste rincão bendito de Entre - Douro - Minho e Lousada, esta linda Lousada, terra nossa, que nos viu nascer - está em Festa.”13

É assim Lousada. Terra de múltiplos encantos, terra linda, amada e prendada. Terra de rara beleza.

Terra prendada e a merecer futuro. Tudo a implicar continuidade, mesmo no capítulo das crenças, das superstições. Continuidade que também se requer para os usos e costumes, trajos e artes tradicionais.

Lousada é pois um concelho de grande riqueza cultural e etnográfica que atinge na cultura a sua maior pujança. Resultante das múltiplas influências que nesta região se interpenetram, se cruzaram e fruto de um profundo apego e enraizamento na paisagem, no clima e nos trabalhos agrícolas na generalidade.

Lousada é terra linda e de rara beleza. Lousada – A Bela!

 

Lousada, 1999 

 11 –  Dec – Lei, 16 de Junho de 1910 (Lousada – A Vila e o Concelho, Lousada. Ed. Câmara de Lousada. 1993. p. 19.

12 – Dec. 95/97, 12 de Setembro de 1978, e Dec. – Lei – 20 de Março de 1945 Lousada – a vila e o concelho. Lousada. Ed. Câmara de Lousada. 1993. p. 212 e 26).

13 – Jornal de Lousada. Lousada. 24 de Julho de 1984. nº 2653. p.1.



1 Zinid, Jornal de Lousada, Lousada, 5 de Abril, 1949, n.º 2685, p, 1.

2 Magalhães, Augusto; Revista de Lousada n.º 2, supl. Do T.V.S., 5 de Maio de 1991, p. 7.

3 Pinho, Leal; Portugal, Antigo e Moderno, 1909, p. 558-559.

4 Magalhães, F. Victor; O Concelho de Lousada no Numeramento de 1527, Jornal de Lousada; 4 de Setembro de 1992, p. 5.

 

 

5 Azevedo, José Correia de; Portugal Monumental, Inventário Ilustrado, p. 10; Ed Nova Gesta.

6 Lousada - Terra prendada, Ed. Anégia, Lousada, 1993 p. 9-10.

7 Censos de 1991 – I.N.E.

8 Dionísio, Sant’ Ana, Guia de Portugal, 1964, Vol. IV, p. 621 e Leal, Pinho; Portugal, Antigo e Moderno; 1909, p. 558-559.


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