Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Casa do Porto - Ficha

I - Definição

1 - Casa do Porto

 

2 - Proprietário/família

      

      Actual - João Maria Cabral Peixoto Magalhães

      Antigo - Alberto Porfírio Peixoto Fonseca.

      Apelido Antigo - Vilas - Boas

      Apelido Actual -Peixoto Magalhães109

 

3 - Localização

 

      Lugar - Porto

      Freguesia - Santa Margarida

      Concelho - Lousada

 

II - Classificação Formal

 

Casa com planta em L e capela

integrada à fachada principal, no

topo esquerdo.                                            

______________________________

109 - Apesar de até princípios do séc. XX ter prevalecido o nome Vilas-Boas. NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 29.

1 - Relação entre ambas as construções

 

2 - Descrição (arquitectónica) dos edifícios

 

Em termos arquitectónicos é uma casa com planta em forma de L e capela integrada no topo esquerdo da fachada principal, fachada dividida, verticalmente, por pilastras, em três zonas, criando dois panos de parede simétricos que ladeiam um pano central. O frontispício, onde se abre uma portada moldurada com chave ao centro, é ladeada por duas janelas de peitoril gradeadas e no andar nobre, uma janela de sacada, com fecho, encimada por um painel côncavo que o une à cornija, é flanqueada por duas janelas de peitoril. No frontão ostenta a pedra de armas. O pano à direita, no rés-do-chão, mostra duas janelas de peitoril gradeadas, enquanto no primeiro andar exibe duas janelas de sacada. No rés-do-chão, no pano do lado esquerdo, lobrigam-se igualmente duas janelas de peitoril gradeadas e duas janelas de sacada no andar nobre.

No topo esquerdo desta fachada está a capela do Sagrado Coração de Maria. A sua fachada principal foi dividida, verticalmente, em três panos, por duas pilastras, vendo-se no primeiro pano, à esquerda, uma porta de cocheira moldurada. No primeiro andar, mostra uma janela de peitoril moldurada, no frontispício uma portada arquitravada com fecho e lintel curvilíneo encimada por uma janela de peitoril. O pano do lado direito, no rés-do-chão, apresenta uma pequena abertura moldurada, enquanto no primeiro andar se vê uma janela de peitoril. O frontão triangular coroa o pano central. Este é encimado por uma cruz granada e as pilastras são rematadas por fogaréus estriados. A fachada Norte exibe uma janela fixa e uma portada. Umas escadas de um só lanço conduzem ao interior da capela e a fachada Oeste é rusticada, ostentando uma abertura gradeada e envidraçada.

A fachada Oeste, da casa, está dividida em três corpos rectangulares, por duas pilastras, sendo o corpo central um “torreão” de três andares. No primeiro corpo, rebocado, à esquerda, existem quatro aberturas rectangulares, molduradas e gradeadas, estando duas delas tapadas com granito. No primeiro andar vêem-se cinco janelas de peitoril. O corpo central exibe, no rés-do-chão, duas aberturas molduradas e gradeadas; e no primeiro e segundo andar, há em cada um duas janelas de peitoril, enquanto no terceiro andar se vislumbra uma janela dupla de sacada, com alpendre. O terceiro corpo, à direita, apresenta, no rés-do-chão, cinco aberturas molduradas e gradeadas, e no primeiro andar evidencia cinco janelas de peitoril molduradas.

Na fachada Norte, existe uma portada ladeada por quatro aberturas quadrangulares, gradeadas, no rés-do-chão; e no primeiro andar, três janelas de peitoril.

A Fachada Este, do pátio interior, no rés-do-chão, à esquerda, apresenta uma escadaria de três lanços e dois braços - os primeiros degraus são comuns - com gradeamento. Pode ver-se, ao cimo desta, duas portadas e uma janela de peitoril, sendo de referir, ainda, à direita, no rés-do-chão, três portadas e uma janela de peitoril, gradeada. No primeiro andar existem seis janelas de peitoril, gradeadas e duas pequenas aberturas rectangulares envidraçadas, havendo mais uma grande janela de peitoril gradeada, todas molduradas. No segundo andar lobrigam-se três janelas de peitoril. O “torreão” exibe uma janela de peitoril gradeada e moldurada.

A fachada Norte, do pátio interior, exibe uma porta de cocheira, do lado direito; e no rés-do-chão vê-se uma porta moldurada e uma janela de peitoril. No primeiro andar ostenta quatro janelas de peitoril.

 

 

3 - Estado de conservação

 

É bom.

 

4 - Obras/Restauro

       (Datas e que obras foram feitas)

 

      Em 1995 a casa foi pintada exteriormente, procedeu-se ao restauro e conservação das janelas, do telhado, a Poente, e dos tectos. Durante todo o ano são executadas obras de manutenção.110

 

III - Elementos Iconográficos na construção

1 - Pedra de armas

      (Descrição)

 

      Foi mandada esculpir e colocar na Casa do Porto por Manuel Pinto Peixoto de Sousa Vilas-Boas.111 Está colocada na frontaria, no frontão. A época está devidamente datada: 1862.112 É de mármore.

 

______________________________

 

110 - Segundo o proprietário da casa do Porto, João Maria Cabral Peixoto Magalhães.

111 - NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da - o. c., p. 27.

112 - NÓBREGA, Artur-Osório da - o. c., p. 26 - 2 7.

O escudo é francês moderno, acompanhado de elementos decorativos (volutas e flores estilizadas), que se estendem pelo frontão. Elmo, com a viseira descida, voltado de perfil para a direita, com virol e timbre.113

 

Escudo:

Composição: esquartelada.

Leitura:

 

I PEIXOTO (moderno)                                                                                    (1)

 

II PINTO                                                                                                          (2)

 

 III SOUSA, dito de Arronches                                                                        (3)

 

 IV VILAS-BOAS                                                                                           (4)

 

Timbre de PEIXOTO (moderno)

 

1) PEIXOTO (antigo): Xadrezado de ouro e de vermelho, de cinco peças em faixa e seis em pala; e PEIXOTO (moderno): xadrezado de ouro e de azul, de seis peças em faixa e sete em pala. Na pedra de armas temos um xadrezado de cinco peças em faixa e cinco em pala, com a cor azul indicada nas peças pares.

(2) Cinco crescentes. Cada crescente constituído por dois planos que formam entre si um ângulo diedro convexo, na pedra de armas.

(3) Esquartelado: o I e o IV com cinco escudetes postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes, e bordadura carregada de sete castelos, e um filete posto em contrabanda, brocante sobre tudo; o II e o III com uma quaderna de crescentes. Neste quartel do escudo: no I e no IV faltam a bordadura com os castelos e o filete em contrabanda; no II e no III temos uma flor de quatro pétalas, má interpretação da quaderna de crescentes. Este quartel de SOUSA (de Arronches) devia estar no I do esquartelado do escudo pelo privilégio que compete às Armas do Reino.

______________________________

113 - NÓBREGA, Artur-Osório da - o. c., p. 27.

 (4) Esquartelado: o I e o IV com um castelo tendo a torre do meio rematada por uma palma; o II e o III com um dragão volante. Faltam as palmas e os dragões estão voltados.

      (5) Um corvo-marinho com um peixe no bico.114

 

2 - Cronologia

      (Datas inseridas na construção)

Não tem.

 

IV - Outros dados históricos

 

      Segundo o proprietário desta casa, a fachada principal foi edificada, propositadamente, para nos seus salões receber o Rei D. Miguel, que por ironia do destino e da fortuna nunca chegou a vir a Lousada. Nela residiu o último Capitão-Mor de Lousada.

 

V - Situação da Casa

 

A Casa do Porto queda-se no meio de campos, da mesma quinta que lhe dá o nome, muito próxima da estrada nacional que liga Lousada a Felgueiras, na freguesia de Santa Margarida, a poucos metros da Igreja Paroquial. Acede-se por uma alameda em latada, em terra batida, até se encontrar um portal que permite a entrada para o terreiro da sua fachada principal. O portal é em “ferro forjado, (…) do século XIX, datado de 1862, formado por quatro folhas, sendo duas delas muito estreitas e fixas, além da sobreporta. [Apresenta] um friso inferior formado por “UUU” ligados costas com costas, com as pontas enroladas para dentro. A meio e a finalizar o portal temos frisos com meios “SSS” com as pontas enroladas para dentro ou para fora. As folhas são formadas por réguas e fitas finas, formando as fitas “VVV” invertidos com as pontas decoradas. A sobreporta é formada por uma faixa larga de formato rectangular e termina com um desenho que mais parece um arranjo floral. O friso inferior é formado por meios “SSS” com as pontas enroladas para dentro ou para fora, seguindo-se uma faixa larga com varas a formarem losangos, tendo no centro uma esfera, que termina com “UUU” ligados costas com costas, com as pontas enroladas para dentro. A parte superior da sobreporta tem o formato de um arranjo floral formado por meios “SSS” com as pontas enroladas para dentro ou para fora.

      Do ponto de vista arquitectónico temos duas colunas fasciculadas com meias colunas adossadas, em silharia, de fiadas regulares. No capitel verifica-se que faltam elementos decorativos.1 

 

______________________________

 

 

 

114 - NÓBREGA, Artur-Osório da - o. c., p. 27.

115 - OLIVEIRA, Rosa Maria - o. c., p. 63. 

                                                                                                                                                

VI - Fontes Primárias/Documentais

   Não encontradas.

VII - Bibliografia

 

- À Descoberta do Vale de Sousa-Rotas do Património Edificado e Cultural… 2ª Edição. Lousada: Editores Héstia. 2002.

- BATISTA, João Maria - Chorographia Moderna do Reino de Portugal. Lisboa: Typpograhia da Academia Real das Sciencias, vol. II. 1875.

- BARREIROS, G. Bonfim - Janelas Portuguesas. Porto: Livraria Galaica Depositária. [s/d].

- CARDOSO, P. Luís -  Dicionário Geográfico, ou Noticia Histórica de Todas as Cidades, Vilas, Lugares, e Aldeias, Rios, Ribeiras, e Serras dos Reinos de Portugal, e Algarve, com todas as coisas raras, que neles se encontram assim antigas, como modernas. Lisboa: Regia Oficina Sylviana, da Academia Real, Tomo II. MDCCLI

- Carta Militar de Portugal - Lisboa: Edição do Instituto Geográfico Do Exército. Escala 1: 25 000, Série M888, Penafiel, Folha 112, N.º 4. 1998.

- Casas de Sousa - Associação de Turismo no Espaço Rural do Vale de Sousa. Lousada: Terra de Sousa. Programa Leader II. [s/d].

- COSTA, P. António Carvalho da - Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do famoso Reyno de Portugal Com as Noticias das Fundações das cidades, Villas, e Lugares, que contem, varões ilustres, Genealogias das Famílias nobres, fundações de Conventos, Catálogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edifícios, & outras curiosas observaçoens. Segunda Edição. Braga: Typographia Domingos Gonçalves Gouveia. 1868.

- D’ ALMEIDA, José Avelino - Diccionario Abreviado de Chorografia, Topografia, Archeologia das Cidades, Villas e Aldêas de Portugal. Valença: Typographia de V. de Moraes, vol. I, 1866.

- Dicionário Enciclopédico Das Freguesias - Lisboa: Edição da ANAFRE, 1996.

- Ecos - Porto: Edição da Direcção Geral de Apoio e Extensão Educativa, Coordenação Distrital do Porto, N.º 17. [s/d].

- História das Freguesias e Concelhos de Portugal - Lisboa: Edição do Jornal de Noticias e da Quidnovi, vol. 9. 2005.

- Jornadas Europeias de Património. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 2003.

- LOPES, Eduardo Teixeira - Lousada e as suas freguesias na Idade Média. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2004.

- Lousada - A Vila e o Concelho. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1993.

- Lousada - Terra Prendada - Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 1996.

- Lousada (Subsídios para a sua Monografia) - Lousada: Coordenação Concelhia de Lousada, Direcção Geral Da Extensão Educativa. 1989.

- NÓBREGA, Vaz-Osório da - A Heráldica De Família No Concelho De Lousada. Aditamento a “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959). Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1999.

- OLIVEIRA, Rosa Maria - Portões e Fontes do Concelho de Lousada. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada. 2003.

- Planta topográfica. Escala: 1:2000. Lousada: Câmara Municipal de Lousada. 2005.

- Presidentes da Câmara Municipal de Lousada Desde 1838 até 1900. Lousada: Edição do Arquivo Histórico e Municipal de Lousada. 2003.

- Revista de Lousada 3 - Suplemento Ao Jornal Nº 321 TVS - Terras do Vale de Sousa - 5 de Março de 1991.

- SILVA, José Carlos Ribeiro da - As Capelas Públicas de Lousada. Seminário de Licenciatura em História-Variante Património. Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Policopiada). 1997.

- VIEIRA, José Augusto - O Minho Pitoresco. 2ª Edição, Valença: Edição Rotary de Valença, Tomo II. 1987.

 

 

 



publicado por José Carlos Silva às 13:51 | link do post | comentar

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