Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010

Cruzeiro Paroquial

Os Cruzeiros paroquiais tinham por finalidade assinalar os limites físicos da paróquia.

São padrões públicos por excelência e símbolos de jurisdição paroquial.

 

“Desde a Idade Média, que o âmbito territorial de uma igreja, capela ou ermida, em posse e gozo de sua jurisdição, foi demarcado por cruzeiros, que lhe estabeleceram limites definidos”.[1]

As cruzes de pedra eram termos de propriedade e prova de domínio. Assim, a cruz como elemento sagrado, portanto respeitado por todos, era também marca de limites, de propriedade intocável.

O Cruzeiro paroquial é composto por: plataforma (de dois, três, quatro ou mais degraus); pedestal (soco, dado e cornija); coluna (base, fuste e capitel); e a cruz.[2]

Alguns Cruzeiros paroquiais são como pelourinhos, padrões de afirmação de poder, podendo atribuir-se-lhe um simbolismo político e social.

Calvário e Via-Crusis

São Cruzeiros distribuídos em série ao longo dos caminhos ou na encosta do monte, em direcção a um calvário ou capela. Desenvolvem-se em teoria de via-sacra e distribuem-se pelas povoações ou dos subúrbios de uma Capela do Senhor do Calvário ou de outra invocação, mas principalmente e logicamente desta, e vão subindo o caminho sagrado até às três cruzes do Calvário, triunfantes, lá no alto, diante da Capela: é a Via- Crusis.[3]

Parece ser de origem Franciscana esta piedade contrastante, mas concordante na adoração realista do Salvador com a adoração do presépio. O fieis impossibilitados de ir aos lugares santos, percorrem nesta penitência os lugares do martírio assinalados pelas cruzes sucessivas.

 

O Cruzeiro de via-sacra tem hastes de secção quadrangular e a vertical é mais alongada que a horizontal.

 Cruzeiro do Cemitério

Cruzeiros colocados no interior do cemitério com a determinante função de santificar o local que recebe os restos mortais daqueles que em vida acreditaram na vida após a morte.

“Ergue-se o cruzeiro a lembrar aos vivos a piedade pelos mortos. Marca a passagem da Morte, não como tragédia e humilhação, mas esperança e triunfo”.[4]

Serve para alicerçar a ideia de que depois da morte haverá ressurreição, a vida, tal como aconteceu com Jesus Cristo.

      Cruzeiros do Centenário

São símbolos da felicidade do nosso génio colonizador aos princípios eternos do evangelho, erguidos por todos os cantos do país, a quando das comemorações centenárias de 1940.[5]

Foi o Padre Moreira das Neves quem lançou a ideia da construção dos Cruzeiros da independência, aproveitando para tal iniciativa patriótica o espírito de respeito que o povo Português tinha pelos muitos padrões de fé existentes por todo o país.

Centenas de novos Cruzeiros foram colocados nas cidades, vilas e aldeias de Portugal. Uns com a colaboração das Câmaras Municipais e outros por iniciativa de particulares.

      Estrutura de um Cruzeiro

Há vários tipos de Cruzeiros: de cruz, crucifixo, calvário e via-crusis.

Os cruzeiros normalmente são em granito, mármore, cimento e até em ferro.

Todos os Cruzeiros têm elementos comuns, o que torna mais fácil encontrar as diferenças.

A maioria dos Cruzeiros possui plataforma, que pode ter dois, três, quatro ou mais degraus.

Alem da plataforma, têm ainda o pedestal, a coluna, o capitel e a cruz.[6]

O pedestal é composto pelo soco, dado e cornija. É no dado que normalmente aparecem as inscrições ou outros elementos relacionados com a origem do Cruzeiro. O dado costuma ter forma cúbica ou cilíndrica.

A coluna é composta pelo fuste e capitel. O fuste pode ser diminuído ou pançudo, conforme o seu diâmetro vai diminuindo de baixo para cima. Pode ter forma cilíndrica lisa ou estriada.

O capitel é a parte superior, normalmente mais ou menos cónica, invertida, com ou sem adornos. Consta de formas variadas, com predomínio da troncopiramidal.

O capitel pode ser da ordem jónica, dórica ou coríntia.

Os Cruzeiros que possuem uma legenda, normalmente no dado, explicam os motivos que estiveram na origem da sua edificação.

A cruz pode ser constituída de formas muito diferentes: nodosa, cilíndrica, florejada.

 

 

 

 

 



[1] CHAVES, Luís - ob. cit, p. 14.

[2]  BARREIROS, Manuel de Aguiar – Elementos de Arqueologia e Belas Artes. (s.l.): (s.e.), 3ª ed, 1951, p. 46 - 50.

[3]  MATOS, Sebastião - Cruzeiros e Alminhas de Barcelos. Barcelos: Ed. Gabinete Património, Câmara Municipal de Barcelos, 1994, p. 8.

[4]  CHAVES, Luís, ob. cit, p. 17.

[5] Ver Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. (s.l.): Editorial Enciclopédia, Lda, Vol. XVIII,  (s.d.), p. 178.

[6] Ver CHAVES, Luís - ob. cit, p. 13.

 

 

VIEIRA, Leonel - Os Cruzeiros de Lousada



publicado por José Carlos Silva às 21:14 | link do post | comentar

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