Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

A casa nobre permite um grande número de desafios e oportunidades de investigação. Muitos têm sido os Historiadores da Arte, Genealogistas, Heráldicos, Arquitectos Paisagistas a contribuir para o conhecimento cada vez mais integrado deste tipo de habitação e do seu enquadramento sociocultural. A sua intrínseca natureza obriga a uma total interdisciplinaridade. Não existem, no entanto, inventariação e estudos sistemáticos da casa nobre. Há pois que iniciar esse árduo trabalho e principiar a esgotar esse filão que parece, por ora, inesgotável.

Definimos como área geográfica de estudo o concelho de Lousada, e das suas casas nobres, vinte e duas viriam a constituir-se como objecto principal de análise neste trabalho. E porquê o concelho de Lousada? A primeira grande razão prendeu-se com o facto de sermos naturais deste concelho e de o conhecermos muito bem. A segunda, e mais importante, é ser um concelho que possui casas nobres em qualquer ponto do seu território.

Conhecemos este concelho há muitos anos, mas nunca o tínhamos olhado desta forma. Partímos para o terreno para fazer o levantamento fotográfico das Casas Nobres de Lousada. Nas actuais vinte e cinco freguesias contam-se umas dezenas de casas. Levámos uns dias a fotografá-las. Falámos com a maioria dos seus proprietários. Aprendemos muitas coisas que desconhecíamos e estreitamos relações para trabalhos futuros.

Sobre o concelho de Lousada consultámos algumas monografias. Dignas de registo são as “Pedras de Armas do Concelho de Lousada”, do Consultor Osório-Vaz da Nóbrega, “Lousada Antiga”, de Augusto Soares de Moura, o “Minho Pitoresco”, de José Augusto Vieira, “Saudade! Saudade!” de São Boaventura, e, de edição da Câmara Municipal de Lousada: “Lousada-Terra Prendada”, “Lousada-A Vila e o Concelho”. Outras referências bibliográficas são remetidas para a bibliografia geral, no final desta dissertação.

Lousada carece de estudos monográficos e inventários arquitectónicos específicos e sistemáticos. De referir que não existem plantas e desenhos do objecto em estudo. Os autores dos projectos para a casa nobre, segundo Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves: “têm origens e formações diferentes. Vamos encontrar por trás do risco: arquitectos; engenheiros militares; arquitectos amadores, onde encontramos uma panóplia de origens e formações; mestres de pedraria (que na nossa opinião ocuparam um lugar da maior importância na concepção e execução de muitas casas nobres urbanas e principalmente no contexto rural) e o próprio proprietário, que com o auxílio de um mestre pedreiro, foi o responsável pelo risco da sua própria casa.”3

Pesquisámos nos arquivos Distritais do Porto, de Braga, no Arquivo Histórico Municipal do Porto, no Arquivo Histórico de Lousada e de Felgueiras, mas não encontrámos qualquer contrato de obra. Admitimos pois, que encomendador e mestre pedreiro fossem os responsáveis pelos riscos - principalmente no espaço rural, como era o concelho de Lousada no século XVIII - tal como afirma Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves.

Se num primeiro momento fotografámos todos as casas nobres de Lousada, o passo seguinte foi restringir o nosso campo de estudo e limitá-lo de forma a permitir um estudo mais profundo do objecto. Poderíamos, porventura, fazer uma pesquisa muito mais ampla e mais aprofundada, quer ao nível de outros arquivos - não só os Notariais de Lousada que foram exaustivamente pesquisados - quer das Actas da Câmara dos concelhos de Unhão [actualmente freguesia do concelho de Felgueiras] e de Lousada. Mas o espaço temporal de uma tese de mestrado não nos permite ir tão longe, ficando esse horizonte em aberto para futuras investigações ou até para outros investigadores.

Num segundo momento, a ausência de documentos obrigou-nos à elaboração de Fichas de Inventário do nosso objecto de estudo. Estas Fichas de Inventário - os nossos “documentos” - foram a base essencial para este nosso trabalho.

O contacto com os donos das casas nobres, o terceiro momento, é dos mais importantes, já que fez com que entendêssemos como é que os proprietários destas casas as encaram, as sentem e as têm olhado ao longo do tempo.

A dissertação apresenta-se em três volumes. Achamos por bem incluir um glossário de termos de arte; e mais, uma grelha com os títulos e profissões de alguns dos proprietários do concelho de Lousada que pontificaram ao longo do século XVIII - em alguns casos, proprietários das casas que ora constituem o nosso objecto de estudo - quiçá, uma porta para uma leitura sociológica, sempre desejável e enriquecedora enquanto complemento de qualquer outra.

 

________________________________

 

3 - FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime B. - A Casa Nobre No Porto Na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa. 2001, p. 36.

 

 

In TESE DE MESTRADO: «A Casa Nobre No Concelho de Lousada»



publicado por José Carlos Silva às 18:46 | link do post | comentar

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